quinta-feira, 21 de julho de 2011

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77 anos da morte do Padre Cícero


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Centenário de Juazeiro do Norte 

Como não poderia deixar de ser, dia 20 de julho de 2011, a dois dias do Centenário de Juazeiro do Norte, nossa postagem faz referência ao dia da morte do Padre Cícero. Foi no dia 20 de julho de 1934 (portanto, há 77 anos) que Juazeiro amanheceu com a notícia que logo se espalhou por todo o Vale do Cariri: o "Padim Ciço" falecera.
Mas, segundo a tradição romeira e de todos aqueles que têm na sua fé uma admiração pelo Padre Cícero, a crença é de que ele "não morreu", mas fez uma viagem aos céus para interceder em nome do humilde povo nordestino.
Outra tradição é a de grande parte da população de Juazeiro do Norte se vestir de preto no dia 20 de todos os meses. Muitos começam esses dias, inclusive, na Missa celebrada em homenagem à memória do fundador de Juazeiro do Norte.
Na nossa jornada sobre o Centenário de Juazeiro do Norte, em pelo menos três postagens temos algum tipo de referência ao falecimento do Padre Cícero e ao luto pela data de sua morte: na postagem # 03temos a canção "Beata Mocinha", cantada por Luiz Gonzaga, falando sobre "a viagem feita pelo Padre Cícero", que foi "pedir proteção aos romeiros do Norte"; napostagem # 16 há um vídeo de D. Assunção Gonçalves, testemunha ocular do 20 de julho de 1934 em Juazeiro, relatando para as lentes de Daniel Walker como foi o dia da morte do Padre Cícero; e na postagem # 37 mais uma canção de Luiz Gonzaga, "Viva meu padim", que entoa os versos "olha lá no alto do Horto / ele tá vivo, o Padim não tá morto".
Nesta postagem # 98 apresentamos três textos que fazem referência à "partida" do Padre Cícero no dia 20 de julho. Inicialmente, um relato de Lourival Marques, filho de um dos secretários do Padre Cícero, que narra o que ele presenciou no dia do falecimento do Padre. O texto está reproduzido no livro Milagre em Joaseiro, de Ralph Della Cava (Editora Paz e Terra, 1976). E, na sequência, dois poemas de Pedro Bandeira e um de Dr. Edvan Pires, publicados na antologia Juazeiro poético (organizada por Raimundo Araújo), que destacam a vida, a morte e a saudade do Padre Cícero Romão Batista.
Morte do Padre Cícero
Lourival Marques (1934)
Acordei pelo tropel de gente que corria pela rua. Fiquei sem saber a que atribuir aquelas carreiras insólitas. Quando cheguei à janela tive a impressão de que alguma coisa monstruosa sucedia na cidade. Que espetáculo horroroso, esse de milhares de pessoas alucinadas, correndo pelas ruas afora, chorando, gritando, arrepelando-se... Foi então que se soube... O Padre Cícero falecera... Eu, sem ser fanático, senti uma vontade louca de chorar, de sair aos gritos, como toda aquela gente, em direção à casa desse homem, que não teve igual em bondade e nem teve igual em ser caluniado.

Um caudal de mais de 40 mil pessoas atropelava-se, esmagava-se na ânsia de chegar à casa do reverendo. O telégrafo transbordava de pessoas com telegramas para expedição, destinados a todas as cidades do Brasil. Para fazer ideia, é bastante dizer que só em telegramas, calcula-se ter gasto alguns contos de réis. Logo que os telegramas mais próximos chegaram ao destino, uma verdadeira romaria de dezenas de caminhões superlotados, milhares e milhares de pessoas a pé, marcharam para aqui. Joaseiro viveu e está vivendo horas que nem Londres, nem Nova Iorque viverão jamais... O povo, uma onda enorme, invadiu tudo, derrubando quem se interpôs de permeio, quebrando portas, passando por cima de tudo. Pediu-se reforço à polícia, mas o delegado recusou, alegando que o Padre era do povo e continuava a ser do povo.
Arranjaram, no entanto, um meio de colocar o cadáver exposto na janela, a uma altura que ninguém pudesse alcançar e, durante todo o dia, várias pessoas encarregaram-se de tocar com galhos de mato, rosários, medalhas e outros objetos religiosos, no corpo, a fim de serem guardados como relíquias. Milhares de pessoas continuavam a chegar de todos os pontos, a pé, a cavalo, de automóvel, caminhão, de todas as formas possíveis.
Quatro horas da tarde... Surge no céu o primeiro avião do exército. Depois outro. Lançam-se de ponta para baixo, em voos arriscadíssimos, passando a dois metros do telhado da casa do Padre Velho. Duram muito tempo os voos. É a homenagem sentida que os aviadores prestam ao grande vulto brasileiro que cai... Desceram depois no nosso campo, vindo pessoalmente trazer uma riquíssima coroa, em nome da aviação militar.
A cidade é uma colmeia imensa; colmeia de 60 mil almas, aumentada por mais de 20 mil, que chegaram de fora. Nenhuma casa de comércio, de gênero algum, barbearias, cafés, bares, nada abriu. A Prefeitura decretou luto oficial por três dias. O mesmo imitaram as cidades do Crato, Barbalha e outras. Todas as sociedades e sindicatos têm o pavilhão nacional hasteado a meio-pau com uma faixa negra, em funeral.
(20 de julho de 1934)
BLOG: O BERRO http://oberronet.blogspot.com
 Rozelia Costa - rozeliacebs@hotmail.com


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