sexta-feira, 19 de julho de 2024

Pesquisa aponta que Padre Cícero foi prefeito de Juazeiro por mais de 15 anos

 Cearense do século XX, patriarca do Nordeste, santo. Ainda hoje, a figura do Padre Cícero desperta o interesse popular e acadêmico. Nomeado primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, Cícero Romão Batista foi eleito para um segundo mandato, em 1912.


Pelo menos até então, já que o professor e pesquisador Renato Casimiro, referência na historiografia de Juazeiro do Norte e do Padre Cícero, defende que o fundador se manteve no cargo por mais de 15 anos. Os dados estão sendo levantados em atual pesquisa.

fonte: jornaldocariri

Falece o Professor Cicero de Tarso Dantas ex. diretor do Centro Educacional Prof. Moreira de Sousa

 Com tristeza registramos o falecimento do professor  Cicero de Tarso Dantas ex diretor do Centro Educacional Prof. Moreira de Sousa , nascido em 12 /12/1954 e falecido em 18/07/2024.


Seu velório está sendo realizado na sala da Saudade no Anjo da Guarda e  o sepultamento será ano cemitério do Socorro 




UMA REFLEXÃO CRÍTICO-FILOSÓFICA SOBRE PADRE CÍCERO E ALGUNS FATOS DE SUA VIDA.

 

Dom Samuel Dantas de Araújo, OSB.( PARTE3)


3)O MILAGRE CHAMADO JUAZEIRO DO NORTE.

Corria o ano de 1872, quando Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará, nomeou padre Cícero capelão oficial da igrejinha dedicada à nossa Senhora das dores. Daquele longínquo ano até o presente, passaram-se nada menos que 150 anos.

Em virtude de uma certa lei do progresso e da evolução natural a que tudo quanto existe debaixo do sol está sujeito, tanto os seres humanos, como cidades e países vão tomando novos aspectos e se afastando do seu inicial ponto de partida. Neste sentido, uma era Fortaleza há 100 anos atrás e outra bem diferente é a atual capital do estado do Ceará. O mesmo pode ser dito acerca de toda e qualquer cidade da federação, sem excluir Juazeiro do Norte. Ocorre, porém, que neste caso específico, estamos diante de um fenômeno curioso e absolutamente singular, para dizer o mínimo. Se pensarmos um pouquinho, não será difícil perceber que esta singularidade do município sul-caririense é também devida em parte a singularidade do seu célebre fundador.

As romarias que começaram com o padre Cícero ainda vivo, permanecem como um dos eventos mais destacados da cidade, se é que não o maior, atraindo ano após ano, uma quantidade incontável de romeiros devotos que insistem em cultuar a memória do padre Cícero. É ele, com efeito, e nem tanto o que teria sucedido no interior da antiga capela na época em que ele exercia o seu ministério sagrado, que continua atraindo para o seu filho(ele costumava dizer que muito embora fosse filho do Crato, Juazeiro era seu filho) gente de todos os recantos do nosso amado Nordeste.

Pergunte-se a algum romeiro vindo de longe quem foi Dom Quintino Rodrigues e ele provavelmente não saberá que foi o primeiro bispo do Crato. Nem todo cearense sabe que o primeiro bispo do Ceará chamou-se Dom Joaquim José Vieira, mas no caso do “Padim Ciço”...a história é outra.

Difícil se encontrar no interior nordestino uma casa em cuja sala não haja ou um quadro ou uma imagem do inesquecível papa do sertão, além, é claro, de uma respeitosa devoção que não conhece limites. Muitos em Juazeiro faziam expressa questão de dizer: Nosso papa é o “padim Ciço!”

Se este padre, pergunto-me eu, não tivesse sido um grande homem e um não menor sacerdote católico, de que maneira se explicaria uma devoção fortemente enraizada no coração do povo e que desde o seu passamento apenas cresce?

Se padre Cícero tivesse sido um embusteiro, um aliciador de fanáticos ignorantes, ou um arrivista ambicioso, cuja ambição não conhecia quaisquer limites, pode-se apostar que o seu nome – como aliás o de todos que lhe moveram guerra injusta e implacável – já teria rolado no abismo do esquecimento faz tempo. Sou de opinião que o melhor argumento que um apologista do Padre Cícero pode usar para responder as calúnias dos seus passados e presentes detratores é a sua vida, atestado maior de que tudo quanto lhe foi imputado não resiste a uma análise séria.

Lancemos agora, um rápido olhar para Juazeiro, este grande empório comercial a céu aberto. “Ninguém pode contestar a influência que teve o padre Cícero no desenvolvimento da agricultura e da Indústria não somente em Juazeiro, mas em todo Cariri.” (XAVIER, 2001, p. 294)

Quem chega pela primeira vez em Juazeiro do Norte – independente do motivo pelo qual para lá tenha sido atraído – fica desde logo impressionado com o que ali encontra: uma paisagem urbana que remete o espírito a uma grande capital. A verdade, é que quase nada em Juazeiro, ou muito pouco, nos faz pensar que se trata de uma cidade interiorana. Tudo ali parece ser grande: suas amplas avenidas, suas ruas sempre apinhadas de gente, os espaços públicos sempre povoados, o comércio variegado em pleno funcionamento o dia inteiro. Juazeiro do Norte se distingue visivelmente de todo outro espaço urbano interiorano.

“A metrópole do Cariri se tornou um dos principais aglomerados urbanos, comercias e industriais do Nordeste. Nas últimas décadas, a antiga vila de cerca de trinta casas de taipa que um dia recebeu padre Cícero descobriu uma nova vocação econômica. Juazeiro do norte é a sede do maior polo universitário do interior cearense. São mais de cinquenta cursos de nível superior – incluindo medicina, direito, jornalismo e psicologia. Novos empreendimentos imobiliários e hoteleiros surgem a todo instante para atender a demanda das dezenas de milhares de estudantes nordestinos atraídos pelas faculdades juazeirenses.” (NETO, 2009, p. 521)

 

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Romaria dos 90 anos de Vida eterna do Padre Cicero será de 17 a 20 de julho com muitas atividades

Nosso Juazeiro em Festa 

Romeiros da cidade de Rio Largo Alagoas coordenados por Nilton Alves e Jefferson do Grupo Mãe das Dores  adentrando na matriz com um andor e as imagens do Padre Cícero e da Beata Maria de Araújo. 




 

" Os romeiros estão ressignificando essa simbologia que deu início as primeiras romarias, o milagre da hóstia, o fenômeno que materializou a fé da Beata Maria de Araújo em Jesus na eucaristia, e que desde criança ela tinhas as visões divinas com Cristo; a fé do Padre Cícero em Jesus que em sonho lhe pediu para cuidar dos romeiros e ele aceitou a missão, tenho a Beata Maria de Araújo como sua “espada forte” e Nossa Senhora das Dores como advogada. Os romeiros, estão quebrando o silêncio secular, dentro em breve serão milhares de andores do Padre Cícero e da Beata Maria de Araújo (ANDRÉ DE ANDRADE, José, 2024)


 Juazeiro se alegra com a chegada de 22 ônibus de romeiros da cidade de Junqueiro, em Alagoas. Todos irão participar da romaria de 90 anos de falecimento do Padre Cícero Romão.

imagem :mãe das dores

A AFBPC entrega a comunidade a estátua de Daniel Walker na Praça Padre Cícero

 A estátua do Professor Daniel Walker " Guardião da História de Juazeiro " 

será inaugurada as 09:30h neste domingo dia 21 de julho na Praça Padre Cícero e está posicionada do lado da Rua São Pedro  esquina com Rua do Cruzeiro , onde todos os domingos os amigos e participantes da AFBPC Associação dos frequentadores do Banco da Praça Padre Cícero se reúnem para "atualizar" a história de Juazeiro e contar causos e fatos sobre o nosso município


Será domingo dia 21 de julho às 9:30h na Praça Padre Cicero

A imagem por si fala do encontro dos Amigos do banco da Praça todos os domingos . A estátua de Daniel nos convida a esses encontros que ocorrem todos os domingos pela manhã , de uma forma descontraída onde todos tem voz e vez e se irmanam contando e recontando histórias vivenciadas e atuais da nossa amada Juazeiro.



Participem!!!!!!

SUS Digital: estratégia do Ministério da Saúde amplia acesso da população às informações de saúde e inicia a implantação de prontuário unificado

Entre as mais de 30 funcionalidades do Meu SUS Digital estão informações de consultas realizadas e avaliação do atendimento nas UBS. Autodeclaração de raça/cor, etnia e nome social está entre as novidades


O aplicativo Meu SUS Digital ultrapassou a marca de 30 funcionalidades ampliando o acesso de toda a população a informações de saúde e serviços pelo celular. Entre as inovações mais recentes estão o registro de atendimentos clínicos realizados nas Unidades Básicas de Saúde, com a possibilidade de avaliar a qualidade da assistência e as condições do estabelecimento. A iniciativa, que vem mudando a forma como o usuário interage com o sistema de saúde, faz parte da estratégia do Ministério da Saúde para a transformação digital do SUS

Com mais de 50 milhões de download e 4,5 milhões de usuários ativos, o Meu SUS Digital é o mais baixado na categoria saúde entre aplicativos gratuitos. O avanço das funcionalidades dá mais autonomia ao cidadão e permite o maior acompanhamento da sua saúde e do seu auto-cuidado, além de os dados serem fundamentais no aprimoramento de políticas públicas e maior eficiência da assistência. A avaliação do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, por exemplo, reforça a estratégia de reestruturação da Saúde da Família. Em breve, o acompanhamento de consultas, exames e procedimentos estará disponível em toda a rede do SUS

Promovendo a interatividade de todos os cidadãos com abordagem inclusiva, está sendo lançada a funcionalidade por meio da qual o usuário pode por meio da qual o usuário pode registrar sua autodeclaração de raça, etnia, nome social e também seu endereço. Essas informações são muito importantes para o monitoramento de indicadores de saúde e o planejamento de políticas públicas de saúde que promovam a equidade. 

Os usuários também têm acesso pelo aplicativo à carteira nacional de vacinação, com emissão de certificados; autorização para retirada gratuita de absorventes pelo programa Dignidade Menstrual e o histórico da dispensação de medicamentos do programa Farmácia Popular, que será expandido em breve para o acesso às receitas e medicamentos oferecidos pelo SUS. De forma inovadora, uma das funções possibilita acompanhamento da fila de transplantes e emissão da carteirinha de doador de sangue. 

Além do acesso direto de dados por parte do usuário do aplicativo, o programa SUS Digital prevê acesso ao prontuário eletrônico do paciente durante a consulta, expansão da telessaúde, diagnóstico da maturidade em saúde digital das cidades brasileiras e o planejamento de ações regionais, tendo como base a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). 

fonte:www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/julho/sus-digital-

UMA REFLEXÃO CRÍTICO-FILOSÓFICA SOBRE PADRE CÍCERO E ALGUNS FATOS DE SUA VIDA. (Dom Samuel Dantas de Araújo - USB) parte 2

 

UMA REFLEXÃO CRÍTICO-FILOSÓFICA SOBRE PADRE CÍCERO E ALGUNS FATOS DE SUA VIDA. (Dom Samuel Dantas de Araújo OSB)

 

 2) SOBRE O SEU ENVOLVIMENTO COM A POLÍTICA

Alguns dos inimigos do Padre Cícero, que conviveram com ele, o acusaram de ter se envolvido com política. Não foram poucos os que depois de sua morte, disseram que uma canonização seria improvável porque ele adentrou no mundo da política.

Antes de tecer algumas considerações sobre este ponto, ainda hoje motivo de acesas controvérsias, é bom recordar-nos, para não sermos injustos, que dificilmente se encontra na história da Igreja um papa que não tenha sido político. Diga-se a bem da verdade, que alguns o foram e até demais.

Aqui no Brasil, não faltaram casos de eclesiásticos que também se envolveram com política e nem por causa disto foram excomungados ou declarados pela autoridade eclesiástica hereges impenitentes. Tenha-se em vista, a título de exemplo, que dom Francisco de Aquino Correia, arcebispo de Cuiabá, chegou a ser governador do seu estado Natal. Os padres José Martiniano de Alencar, pai do grande romancista cearense do mesmo nome, e Tomás Pompeu de Souza Brasil, ocuparam o cargo de senadores influentes do Império, além do que, coisa que Padre Cícero não fez, tendo guardado intacta sua virgindade até o fim da vida, constituíram família.

Talvez muitos nunca tenham parado para refletir, mas se olharmos bem, não teremos nenhuma dificuldade de perceber que uma paróquia, se parece muito com uma unidade administrativa municipal e um padre,  posto pelo seu bispo à frente de  um rebanho de fiéis sob seus cuidados de pastor, e tendo de administrar dinheiro e pessoas, nos lembra um prefeito eleito pelo voto popular para governar uma cidade. E por acaso uma Diocese com suas muitas paróquias, tendo à frente um bispo que a governa,  não nos faz pensar quase que naturalmente em um estado regido por um governador?

Alguém, pois, que tenha a responsabilidade de governar seres humanos, de certa forma não acaba sendo um político? Ora, a que se destina a política? Cuidar do bem-comum, respondem os entendidos. O que fazem, um padre em sua paróquia, e um bispo em sua diocese? Cuidam do bem das ovelhas a eles confiadas. Logo, de algum modo são políticos, e portanto,  em certo sentido, fazem política, retamente entendida.

Ao que se disse porém, pode-se contra-argumentar e objetar que padre Cícero se envolveu com a sórdida e abjeta politicalha partidária, aquela pela qual muitos cidadãos politizados nutrem compreensível e justificada aversão sem limites, por ser ela sinônimo de tudo quanto degrada o ser humano ao invés de nobilitá-lo.

Quem, todavia, acusou e talvez ainda acuse o padre Cícero de ter se envolvido com a baixa política, a que privilegia o fisiologismo mais descarado, deveria ponderar o que possivelmente o impeliu para um mundo no qual talvez jamais teria ingressado se outras tivessem sido as circunstâncias.

Um homem pode fazer certas coisas e tomar determinadas decisões menos por sua vontade e íntima convicção do que pela súbita impetuosidade de acontecimentos totalmente alheios a sua vontade, mas dentro dos quais vê-se precipitado, sem que no entanto, jamais tenha tido a menor intenção de neles tomar parte ativa na qualidade de protagonista atuante.

Imagine quem puder o quanto não deve ter sofrido terrivelmente um homem que desde muito jovem se mostrara extremamente sensível a dor alheia e de repente viu-se privado do único meio de que dispunha para fazer o bem aos seus semelhantes: o exercício do seu ministério sacerdotal! Que lhe restava fazer? Cruzar os braços e ficar ocioso em sua casa, comendo, bebendo, dormindo e esperando o tempo passar até que a morte viesse bater a sua porta?

Observou dona Amália Xavier de Oliveira em seu livro “O Padre Cícero que eu conheci” que foi graças ao infatigável zelo do novel sacerdote que em pouco tempo houve uma completa transformação do povoado conhecido por todos como lugar de desordeiros e viciados.

“Diariamente, reunia o povo na capela e depois de rezar o Rosário, ensinava a doutrina, lendo e explicando trechos da Escritura. Ensinava a rezar e a trabalhar. Aos desocupados obrigava a irem para o campo plantar e tratar do roçado. Dia e noite, ficava no confessionário atendendo os penitentes que o procuravam, quer da própria aldeia, quer vindos de lugares distantes. Celebrava muitas vezes ao meio dia sem tomar alimento. Dormia e comia mal. Muitas vezes encontramos seu padre pelos matos em busca de casa de um que precisava dos sacramentos para morrer.” (OLIVEIRA, 2001, p. 58 – 9)

Lendo esta passagem do livro, é impossível não se lembrar de que quando o hoje universalmente conhecido e amado cura de Ars, São João Maria Vianey, chegou no lugarejo para onde o seu bispo o enviara, encontrou-o em situação muito parecida aquela em que então se achava Juazeiro quando padre Cícero ali chegou, um espaço com 32 residências entre casas e choupanas, além naturalmente de um rebanho composto na sua maioria de ovelhas transviadas.

Em pouco tempo, o inexpressivo povoado, o qual no futuro tornar-se-ia uma espécie de megalópole interiorana plantada na região sul caririense, adquiriu uma outra feição, graças unicamente a ação moral-civilizadora daquele que passaria a posteridade como o fundador de Juazeiro do norte, e cuja memória continua a ser fielmente reverenciada(não sei se aqui exagero) pelo Nordeste em peso. “Durante horas a fio, desde a manhã até alta noite, recebia os romeiros, consolando-os através de sua benção amorável, paternal. Respondia-lhes os telegramas e as cartas.” (MOREL, 1946, p. 64)

Perguntemo-nos pois, deixando de lado qualquer espécie de preconceito ou malquerença gratuita: um homem que aceitou ir para Juazeiro e que ali chegando dedicou-se de corpo e alma aos afazeres diretamente relacionados ao seu ministério sacerdotal, um homem com estas qualidades e virtudes, que até desafetos notórios não hesitaram em reconhecer, iria pouco tempo depois tornar-se um embusteiro? O bom senso, e com toda razão, recusa-se a crer que um sacerdote em extremo zeloso e tão dedicado ao serviço e culto divino, cairia em um erro tão crasso. O próprio Deus, a quem padre Cícero dedicou sua vida, que ama e defende seus fiéis servos, jamais o teria permitido.

Por ocasião da independência de Juazeiro, era muito natural que todos os olhos se voltassem quase que espontaneamente para aquele a quem o mesmo Juazeiro já devia muito, e cuja lista de relevantes e beneméritos serviços prestados a gente daquele lugar desde que ali chegara, era bem extensa. Não havia, pois, ninguém mais indicado e aparelhado para assumir o governo do novo município.

Quanto ao que resultou de danoso da sedição havida em Juazeiro, é sabido que padre Cícero ordenou terminantemente na qualidade de líder incontestável e guia espiritual do povo que o reverenciava, que fossem respeitadas as propriedades e a honra das famílias. Se houve excessos condenáveis, estes ocorreram à sua revelia.

Em certos contextos, determinadas figuras humanas destacadas aparecem como candidatos naturais para assumir certos cargos. Foi assim, por exemplo, que por ocasião do Conclave que se seguiu a morte do papa Pio XI em 1939, os senhores cardeais voltaram-se para o cardeal secretário de Estado, Dom Eugênio Pacelli, e o escolheram como novo condutor da barca de São Pedro num tempo bastante tumultuado, a pessoa mais apta e qualificada para reger os destinos da Santa Igreja.

É o que costuma ocorrer também, para citarmos um outro caso ilustrativo, quando uma agremiação político-partidária se reúne em convenção para escolher quem será o candidato concorrente a uma sucessão presidencial ou ao governo de algum estado. Via de regra, a escolha costuma recair sobre o que mais se destaca por seu espírito de liderança e capacidade administrativa.

É possível que coisa semelhante tenha se dado por ocasião da escolha do nome do padre Cícero para ser o primeiro intendente municipal de Juazeiro, depois que este alcançou a sua independência político-administrativa, desvinculando-se do Crato. Não obstante o fato de ser sacerdote, Cícero emergia como candidato naturalíssimo ao cargo, principalmente por tudo que já havia feito em prol de Juazeiro. Seu prestígio sem limites era tão grande à época, que nem o fato de estar suspenso de ordens(não podia celebrar Missa) constituiu empecilho para que fosse escolhido.

Os acontecimentos o impeliram para a arena política. A própria história de Juazeiro demonstra claramente que o padre Cícero não se lançou candidato, mas digamos que “foi lançado.”

“Para atender pedidos de muitos amigos, inclusive do então presidente do Estado, o comendador Antônio Nogueira Acioly, aceitou o cargo de prefeito. Justificou sua aquiescência dos pedidos, alegando temer que outro cidadão, na direção da política local, não fosse capaz de manter o equilíbrio da ordem até então por ele mantida.” (XAVIER, 2001, p. 166)

Se o padre Cícero já fizera muito por Juazeiro apenas na modesta condição de desvelado pastor de almas, solícito pelo bem-estar espiritual de suas pobres ovelhas, era natural pensar-se que muito mais poderia fazer se fosse elevado ao cargo de primeiro mandatário municipal.

Acresce ainda que, não podendo celebrar a santa Missa nem administrar os Sacramentos, o padre Cícero enxergou na ação política uma oportunidade de seguir fazendo o bem aquele bom e sofrido povo ao qual tinha heroicamente dedicado toda a sua laboriosa vida. Quando a motivação é nobre e a finalidade boa, deve-se relevar todo o resto.

As acusações feitas contra Padre Cícero podem ser reduzidas a três: 1) A de ter forjado um milagre que de fato não teria ocorrido; 2) A de ter se envolvido com política; 3) a de ter se tornado um milionário.

Sobre as duas primeiras, cremos já ter dito o suficiente, cabendo a quem resolva pensar sobre uma e outra,  chegar as suas próprias conclusões. Resta-nos agora, verificar se tem ou não alguma consistência a terceira, e se o fato de padre Cícero ter se enriquecido,  pode ser utilizado para culpabilizá-lo e como prova de canalhice imoral. Vejamos.

A julgar pelo número de bens móveis e imóveis discriminados por Lira Neto em seu livro, não se pode duvidar que o fundador de Juazeiro fosse realmente um homem endinheirado. Três coisas porém, devem ser consideradas na fortuna amealhada por Padre Cícero, quais sejam: sua origem(que não foi ilícita); o modo como ele viveu e por fim, o destino que resolveu dar ao que possuía quando fez seu testamento.

Quanto à origem, diz-nos o mesmo Lira Neto que “os bens que acumulara ao longo da vida obteve-os  à custa das doações e esmolas dos romeiros.” (NETO. 2009, p. 446)

Talvez muitos não saibam, mas uma parte do que muitas ordens religiosas e pias instituições possuem é fruto do que lhes foi dado por pessoas devotas e opulentas, as quais, antes de morrer, legavam em testamento tudo quanto possuíam a conventos, mosteiros, paróquias e dioceses. No passado, tal prática era bastante comum. Os doadores ou doadoras estavam convictos de que os religiosos fariam um uso verdadeiramente cristão do que lhes fosse doado.

No que toca ao modo de vida do padre Cícero, aqueles que conviveram de perto com ele, sabem que não viveu nababescamente como um príncipe secular, esbanjando dinheiro com coisas inúteis e supérfluas. Prova disso, é que até sua morte envergou sempre uma batina surrada e remendada,  bem como o domicílio modesto em que residiu no Juazeiro, que nada tinha do luxuoso aparato que se vê em certas residências, inclusive de eclesiásticos. Se era rico pelo que tinha, não era, contudo, apegado a riqueza nem seu escravo. Sobre a pobreza pessoal do padre Cícero, escreveu o padre Azarias Sobreira com conhecimento de causa, porque privou de sua intimidade, que ele “tinha o amor apaixonado da pobreza. Seu amor a essa virtude se manifestava até no traje, uma grosseira batina de merinó ou de brim, sapatos de lã preta, leito pobríssimo e na mesa, uma frugalidade bem digna de imitação.” (SOBREIRA, 2011, p. 63)

O fato, porém, de ter deixado considerável parte do seu espólio patrimonial para a congregação dos padres Salesianos, mostra que na medida em que o padre Cícero ia consolidando sua fortuna, certamente já sabia a quem ele a destinaria. Digno de nota – coisa que os seus inimigos não quiseram considerar – é que padre Cícero, acusado em vida de não apoiar a fundação de escolas em sua Juazeiro, com o fito de manter a população nas trevas da ignorância – condicionou à destinação de boa parte dos seus haveres a congregação fundada por São João Bosco à fundação em Juazeiro de instituições educacionais destinadas a crianças de ambos os sexos, o que serve para mostrar o quanto ele estimava a educação da juventude.

amanhã 3ª parte do artigo

Missa de 90 anos de saudades do Padre Cícero na Catedral metropolitana do Rio de Janeiro

 A Sertao Produções homenageia Padre Cícero - 90 Anos de Saudades… !!! Missa pelos 90 Anos de Falecimento do Pe. Cicero Romão Batista será realizada no próximo dia 20/7/24 às 10h, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.


Esta iniciativa se insere nos esforços institucionais envolvendo a Arquidiocese do Rio de Janeiro, a PUC-Rio, a Diocese de Crato, o Santuário N. Sª da Dores de Juazeiro do Norte e a Universidade Regional do Cariri – URCA.

Informamos ainda que nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2024 realizaremos através dessa mesma parceria, o II Simpósio Internacional Pe. Cícero na PUC - Rio. (@sertaoproducoes_ ) #padecicero #catedralmetropolitanadoriodejaneiro

Nossa gratidão ao Marcelo Fraga e toda equipe de produção

quarta-feira, 17 de julho de 2024

UMA REFLEXÃO CRÍTICO-FILOSÓFICA SOBRE PADRE CÍCERO E ALGUNS FATOS DE SUA VIDA. (Dom Samuel Dantas de Araújo - USB)

 

Por ocasião do aniversário dos 90 anos de  Vida Eterna do Padre Cícero estaremos nestes 4 dias seguintes, apresentando um artigo inédito de  Dom Samuel Dantas de Araújo, OSBque consiste em expor algumas reflexões de ordem crítica acerca de certos fatos relacionados à vida do Padre Cícero Romão Batista a partir de registros contidos em obras históricas sobre o assunto. 

foto: pautilia ferraz

UMA REFLEXÃO CRÍTICO-FILOSÓFICA SOBRE PADRE CÍCERO E ALGUNS FATOS DE SUA VIDA. 

  • Introdução  - O recém ordenado Cícero Romão
  • 1. SOBRE A POSSIBILIDADE DE QUE UM VERDADEIRO MILAGRE TENHA DE  FATO OCORRIDO EM JUAZEIRO DO NORTE
  • 2. SOBRE O SEU ENVOLVIMENTO COM A POLÍTICA
  • 3. O MILAGRE CHAMADO JUAZEIRO DO NORTE.
  • 4. Considerações finais 

 RESUMO:O objetivo deste artigo consiste em expor algumas reflexões de ordem crítica acerca de certos fatos relacionados à vida do Padre Cícero Romão Batista a partir de registros contidos em obras históricas sobre o assunto.

 

PALAVRAS-CHAVE: Padre Cícero. Fé. Milagre. Juazeiro.

 INTRODUÇÃO

 

Um livro ou um artigo acadêmico escritos sobre o Padre Cícero Romão Batista e os fatos relativos à Juazeiro do Norte à época em que ele ali viveu como modesto pastor de almas, nos dias que correm, não teriam qualquer razão de ser, se se limitassem a contar o que já assaz se sabe, e isto devido aos muitos trabalhos já escritos sobre os respectivos assuntos. Para que escrever de novo sobre o que outros tantos já disseram e que quase todos já sabem até nos detalhes?

Não pretendo nestas linhas realizar trabalho de historiador. É próprio do filósofo interessar-se não pelos fatos considerados em si mesmos, mas sobretudo pelo elemento invisível neles latente e que nem sempre se consegue enxergar. O que aqui me interessa é apenas refletir criticamente, sem desconsiderar o fato histórico, sobre a possível significação maior nele contida. Ao homem de pensamento, a história só interessa enquanto fonte de lições e aprendizagem. O que houve é irrelevante e pouco importa; o que vale é o que se pode aprender com o acontecimento e o que este nos revela.

No caso do Padre Cícero, há duas categorias de pessoas totalmente inaptas para discorrer criticamente sobre ele e sua tumultuada vida terrena: os que cometeram o erro de quase endeusá-lo, como se se tratasse de uma espécie de entidade sobrenatural, e os que o odiaram gratuitamente, ou quem sabe talvez por algum secreto e inconfessável motivo.

Ao historiador, ainda que possa emitir algum juízo valorativo sobre uma personagem histórica singularíssima, qual foi o célebre fundador de Juazeiro do Norte, levado seja pela simpatia, seja por uma visceral aversão, compete-lhe apenas e somente no seu ofício relatar fidedignamente o que houve, a partir de fontes históricas confiáveis e dignas de crédito. Transpostos para registros escritos, os fatos aí estão para quem quer que queira inteirar-se do que então realmente aconteceu.

Quem seja um devoto fanático do padre Cícero, não pode nem deve escrever sobre ele, porque apenas o defenderá, limitando-se a exaltar suas virtudes. Por outro lado, quem seja desafeto declarado também não pode nem deve fazê-lo, e por duas razões bem precisas: nem lhe reconhecerá mérito ou virtude de espécie alguma, e tenderá, por força da aversão entranhada que lhe vota, a pintar uma figura sinistra que só existe em sua imaginação. Julgo pois, que a pessoa mais apta a escrever sobre tão controversa personagem, que ainda hoje continua a povoar o imaginário popular sobretudo no Nordeste, é a que consegue manter-se equidistante tanto do amor exagerado que só vê qualidades intocáveis e desconsidera as sombras que todos temos, quanto do ódio corrosivo,  que apenas vê defeitos hediondos e recusa-se a ver e aplaudir o lado luminoso, que até os mais sórdidos canalhas devem ter, suponho eu.

Apesar da minha admiração declarada por Padre Cícero, que aliás aqui confesso com simplicidade infantil, ela jamais descambou em momento algum de minha vida para o fanatismo supersticioso que tem o poder de converter anões em gigantes, não faço parte de nenhum dos grupos aos quais há pouco me referi. Se a um ou outro pertencesse na qualidade de membro ativo, não  teria me aventurado a escrever estas linhas, que nem são de defesa incondicional e muito menos de reserva absoluta. São apenas reflexões nascidas na mente de quem se dispôs a pensar friamente sobre um ou outro acontecimento relacionado à vida do Padre Cícero Romão Batista, depois que a Igreja, por meio de sua santidade o papa Francisco, deu autorização para o início do processo de beatificação do servo de Deus padre  Cícero.

O apóstolo e evangelista São João, relata  que:

“dentre as pessoas da multidão que tinham ouvido suas palavras(de Jesus)  alguns diziam: verdadeiramente este é o profeta! Outras diziam: ele é o Cristo. Mas outras diziam: poderia o Cristo vir da Galiléia? Deste modo a multidão se dividiu a seu respeito” (Jo cap. 7, 40 – 42: BÍBLIA, 1995, p. 1773)

Noutra ocasião, estando Jesus com os seus discípulos numa localidade chamada Cesaréia de Filipe, perguntou-lhes o divino mestre quem era ele no dizer dos homens: “Uns dizem que tu és João Batista, outros Elias, outros Jeremias, outros ainda que tu és um profeta que ressuscitou dos mortos.” De novo posições tão diversas sobre uma mesma pessoa!

Quando interrogado por Pilatos, havia duas classes de pessoas diante de Jesus: os amigos que o admiravam e ali estavam lamentando a amarga sorte de um homem bom que passara toda a sua curta vida fazendo o bem, e seus ferozes e implacáveis inimigos, cujo ódio violento a sua pessoa nunca lhe deu um instante sequer de trégua, solicitando aos brados a sua condenação à morte.

Suponho que alguém poderia me perguntar curioso porque em um texto sobre o patriarca de Juazeiro começo falando de fatos ligados a vida do Senhor Jesus, e a minha resposta é que entre as duas vidas há muita coisa em comum.

Todo grande homem, alguém que se distingue da grande maioria por qualidades extraordinárias –  nem os pequenos nem os medíocres são capazes disso – tende tanto a despertar admiração, arrastando após si uma entusiasta plateia de admiradores devotados, como também a suscitar nos corações de muitos por causa da inapagável chama do seu intenso brilho pessoal  os vícios mais abjetos e daninhos de que a mísera natureza humana é capaz, a começar por uma amarga planta espinhosa que atende pelo nome de inveja, e que Santo Agostinho sabiamente chamou de o pecado diabólico por excelência. Lê-se na Bíblia, que a morte entrou no mundo por causa da inveja do demônio, que os sumos sacerdotes entregaram Jesus por inveja, que devorado por este câncer pestífero e letal, o rei Saul tentou assassinar o jovem David.

Por várias vezes, consoante célebre fábula, um escorpião tentou matar um vagalume que jamais lhe fizera nenhum mal. Intrigado este com aquela perseguição implacável para a qual não havia nenhuma justificativa razoável, inquiriu-lhe a razão por que o perseguia para eliminá-lo e a resposta que obteve foi esta:  seu brilho me incomoda. Dispenso-me da tarefa de tecer comentários sobre a moralidade da fábula por causa da obviedade do sentido. O que aí se lê, aplica-se tanto a figura adorável do Senhor Jesus, quanto ao patriarca de Juazeiro, tendo sido ambos, ainda que em medidas diferentes, vítimas da inveja.

A dita de ter amigos fieis e dedicados e detratores ensandecidos parece ser apanágio dos homens de grande coração e mente. Não tenho dúvida alguma que o homem a quem este texto se refere foi um deles.

Para que se possa bem compreender a figura humana de padre Cícero, é preciso antes de mais nada considerar atentamente o evento que dividiu radicalmente sua vida em um antes e um depois. Claro está que este evento divisor é o que ter-se-ia dado no pequeno povoado de Juazeiro do Norte à época em que o recém-ordenado Cícero Romão Batista por lá pastoreava um diminuto rebanho de almas confiadas a sua solicitude pastoral pela autoridade diocesana.

Ao que se sabe, nada houve de extraordinário e digno de notoriedade pública na vida do jovem aspirante cratense as ordens sacras nem no período que precedeu sua entrada no Seminário da Prainha em Fortaleza, nem nos anos em que esteve fixado naquela venerável instituição formadora de sacerdotes católicos, e a qual o estado do Ceará deve muitíssimo.

Poder-se-ia, pois, dizer que o futuro patriarca de Juazeiro, sobre o qual seriam escritos centenas de livros e trabalhos acadêmicos, comportou-se com toda probabilidade, como qualquer jovem seminarista da geração a que pertenceu.

Aguarde amanhã a parte 2 do Texto 

  • SOBRE A POSSIBILIDADE DE QUE UM VERDADEIRO MILAGRE TENHA DE  FATO OCORRIDO EM JUAZEIRO DO NORTE

terça-feira, 16 de julho de 2024

Brasil sai da lista dos países com mais crianças não vacinadas no mundo

 

Brasil sai da lista dos países com mais crianças não vacinadas no mundo, mostram UNICEF e OMS


Em 2021, o Brasil estava em 7º lugar na lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo

 Brasil se destacou na imunização infantil e saiu da lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo.

É o que mostram os dados de um novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), divulgados nesta segunda-feira (15).

Segundo o relatório, no Brasil, o número de crianças que não receberam nenhuma dose da DTP1 (que protege contra difteria, tétano e coqueluche) diminuiu de 687 mil em 2021 para 103 mil em 2023.

Além disso, a quantidade de crianças brasileiras que não receberam a DTP3 reduziu de 846 mil em 2021 para 257 mil em 2023. No país, a DTP é administrada pelo programa nacional de imunizações com o nome de vacina pentavalente.

 2021, o Brasil estava em 7º lugar na lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo, mas em 2023, já não faz mais parte dela.

Nísia Trindade, ministra da Saúde, diz que o reconhecimento confirma que o país se destacou positivamente com a retomada das coberturas vacinais. “Nós revertemos esse cenário. Em fevereiro de 2023, logo que assumimos a gestão, demos largada no Movimento Nacional pela Vacinação, um grande pacto para a retomada das coberturas vacinais. O Zé Gotinha viajou pelo Brasil, levando a mensagem de que vacinas salvam vidas".


fonte G1