sábado, 22 de abril de 2017

Artista cearense carrega seu tear e produz tecidos em 33 espaços públicos de SP


Os cachos caem sobre a testa, os olhos, e reverberam o movimento do corpo, o vaivém dos braços. E se aquietam enquanto os dedos, livres, acomodam os fios. Sentado em frente ao tear, Alexandre Heberte Mendes de Souza, 44, combina texturas, espessuras, matérias-primas, cores em suas tramas.

O tear, ele diz, é como uma extensão de seu corpo. Que resulta em tecidos mais duros quando está tenso. Mais escuros quando está introspectivo. Leves quando está feliz.

Neste mês, ele concluiu o projeto Trama São Paulo, em que percorreu 33 pontos da cidade, tecendo em locais públicos. No fim, expôs todos os coloridos tecidos na SP-Arte e realizou uma performance —durante os quatro dias do evento, trabalhou, em silêncio e sem parar, em seu tear.
O artista cresceu em Juazeiro do Norte (CE), terra de Padre Cícero, próximo das palhas entrelaçadas, das rendas de bilros, das redes de pesca, sem imaginar que enveredaria 2.643 quilômetros ao sul pela tecelagem.

Filho de uma costureira e um caixeiro viajante, foi o primeiro, dos seis filhos, a estudar em escola particular. Graças ao sucesso da fábrica do pai, de refrigerante de caju.

Aquele pedaço do Cariri, onde não havia anonimato, Heberte deixou para trás duas vezes. A primeira, em 1990, para morar em Fortaleza com o irmão mais velho e trabalhar no brechó da irmã, seis meses depois que os pais souberam que ele era gay.

Os excessos de quem queria curar a timidez com a bebida tornaram as relações familiares insustentáveis. E, por isso, após 11 anos, voltou a Juazeiro, em busca da ajuda dos pais.

E, numa terra de "cabra macho", adorava se montar. Combinar a calça de alfaiataria com blusas femininas e salto alto. "Isso perturbava meus pais", conta. "É alto o preço que se paga por querer descobrir sua representação."

Em 2002, ele, que gravava em fitas desfiles da São Paulo Fashion Week, trouxe à capital paulista uma amiga para um concurso de modelos. "Eu estava na rua São Caetano, olhando pela janela, e entendi que essa cidade me pertencia." Dois anos depois, mudou-se.

"Chego a São Paulo no pior momento da minha vida. Muitos acharam que ia me perder, mas eu estava perdido lá. São Paulo foi meu bálsamo."

Estudou turismo, especializou-se no centro (onde hoje vive), mas foi trabalhar jogando tarô por telefone. Por três anos, pensava diariamente sobre o amor.

Um dia, o amigo de um amigo, em uma quitinete cheia de teares, apresentou-lhe um de seus pequenos, de 40 centímetros. O colocou para tecer.
Heberte começou produzindo cachecóis e, no fim do inverno, havia vendido 300 peças. No verão, fez uma bolsa usando fitas VHS (aquelas da Fashion Week) e encontrou um novo produto. Criou o blog Peixes em Peixes (seu signo e ascendente) sobre o assunto e isso, conta, "chamou a atenção de 'mestres-têxteis'".

Surgiu a primeira exposição e o entendimento de que existia um caminho artístico a ser traçado. Conheceu, então, Silvia Ribeiro. Por intermédio dela, fez os tecidos de uma coleção do estilista João Pimenta, de 2012.

Depois, outras exposições e uma menção honrosa (para sua obra "Assum Preto", no Museu da Casa Brasileira), até a seleção do projeto Melissa Meio-Fio, que viabilizou o Trama São Paulo, de nove meses de duração.

"A trama está em todo lugar e o tear amplia meus contatos, com a moda, com a decoração, com as pessoas e os lugares", diz. "Quando imaginaria que passaria uma tarde no Capão Redondo a tecer? Os entrelaçamentos na cidade deveriam ser maiores. E o tear que me leva a isso. Os lugares ganharam rostos, memórias. Tenho um novo olhar para São Paulo."

A relação com a capital é definitiva na trajetória de Heberte —é falando sobre ela que se emociona. "Em São Paulo, me despi de todo figurino, fiquei básico. E eu precisava disso para me entender. A cidade me acolheu e me transformou."

Missa em Ação de Graças pelo Centenário de Monsenhor Azarias Sobreira

Realizou-se na manhã de hoje, às 9 h, na Basílica de Nossa Senhora as Dores, missa em homenagem ao centenário de ordenação sacerdotal de Padre Azarias Sobreira Lobo. O evento que vai ter depois continuação com exposição fotográfica e outras atrações culturais, foi organizado pelo Dr. Geová Sobreira com a participação de Dr. Renato Casimiro. A missa foi celerada pelo Padre Cícero José e a igreja estava ricamente ornamentada e contando com a presença de alguns familiares e admiradores do homenageado, além de alguns romeiros. Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Clubes de Serviços e demais entidades classistas não se fizeram representar na solenidade, numa evidente prova de desconsideração ao ilustre filho de Juazeiro, grande defensor do Padre Cícero e primeiro padre juazeirense a ser ordenado pela Diocese do Crato em 1917. Também não compareceu nenhum padre afora o celebrante. Isto é coisa do Juazeiro de Hoje, que se desenvolve sem nenhum apego ao Juazeiro de Ontem, relegando a segundo plano fatos e personalidades que fizeram a história da cidade. No  Juazeiro Atual parece que somente o Padre Cícero merece consideração. É lamentável que seja assim, pois a cidade é rica em valores históricos, verdadeiramente dignos da louvação da comunidade.  

Encerrando a solenidade, Geová Sobreira proferiu o discurso abaixo transcrito:
"No dia 22 de abril de 1917, na Sé do Crato, em solene e concorridíssima celebração religiosa, contando com a presença maciça de todas as autoridades da Região do Cariri deu-se a primeira cerimônia eclesiástica de ordenação sacerdotal na recém-criada Diocese do Crato do jovem Azarias Sobreira Lobo, filho de Pedro Lobo de Menezes e de Carolina Augusta Sobreira Lobo. Os atos sacros foram presididos por Dom Quintino de Oliveira o primeiro bispo do Crato. Azarias Sobreira Lobo foi o primeiro afilhado do Padre Cícero Romão Batista e, também, o primeiro filho do Juazeiro a ser ordenado sacerdote. Azarias Sobreira era aluno do Seminário da Prainha concluindo seus estudos de Teologia e já tinha, então, recebido as ordens menores, quando, em 1916, retornando da Bahia depois de sagrado bispo, Dom Quintino de Oliveira solicitou a Dom Manuel, arcebispo do Ceará, a cessão do jovem diácono Azarias Sobreira para, como secretário, auxiliá-lo na organização da nova diocese. Havia, também, uma relação velha de amizade entre o jovem diácono e novo bispo do Crato, pois foi dom Quintino, quando vigário da paróquia do Crato, quem fez gestão junto aos seus superiores para o ingresso de Azarias Sobreira no seminário.A intensa agenda de trabalho para o jovem diácono era imensa porque como secretário do bispado tinha que organizar o funcionamento da nova diocese constituída de mais de uma dezena de paróquias espalhadas pela região do sul do Ceará e sem qualquer vínculo de obediência com o novo bispo. As paróquias funcionavam ainda nos primeiros anos da República quase entidades autárquicas, como herança do sistema do padroado desde os tempos de Colônia do Império Português. Estava sendo lento o processo de implantação da Romanização da Igreja no Brasil, de modo especial no Nordeste. Além de construir a unidade diocesana foi-lhe atribuída a missão de reabrir o Seminário São José e assumir a cadeira de diversas matérias. A enorme carga de trabalho debilitou a já frágil saúde do diácono Azarias Sobreira. Mesmo assim, na ânsia de servir a Deus aceitou, pela estima pessoal que devotava a dom Quintino, o cargo de Reitor do Seminário São José. Apesar de todos os incômodos da viagem a cavalo, Crato/Juazeiro, pois, desde menino nunca foi bom cavaleiro, o Padre Azarias ia visitar sua mãe e a sua irmã Micol no sítio Timbaúba e na vinda ou volta ia tomar a bênção do seu padrinho de já frágil saúde do diácono Azarias Sobreira. Mesmo assim, na ânsia de servir a Deus aceitou, pela estima pessoal que devotava a dom Quintino, o cargo de Reitor do Seminário São José. Apesar de todos os incômodos da viagem a cavalo, Crato/Juazeiro, pois, desde menino nunca foi bom cavaleiro, o Padre Azarias ia visitar sua mãe e a sua irmã Micol no sítio Timbaúba e na vinda ou volta ia tomar a bênção do seu padrinho de batismo - o Padre Cícero -, pedir-lhe conselhos e ouvir suas orientações para o desempenho de missão sacerdotal, que as escutava com compungida devoção. Numa dessas visitas ao seu padrinho de batismo a conversa fluía mansamente, quando o Patriarca do Juazeiro pegou as duas mãos do seu afilhado e, em tomo sereno e firme, disse-lhe: - Meu filho, eu tenho um pedido a lhe fazer e o faço do fundo do coração, quero que me ouça em confissão e que seja a partir de agora o meu confessor. - Dito isso, o Patriarca se ajoelhou aos pés do jovem sacerdote e seu afilhado Padre Azarias Sobreira. É impossível até mesmo imaginar os turbilhões de emoções que invadiram o coração e alma do jovem sacerdote diante daquela cena e muitos e muitos anos depois o Padre Azarias ainda era tomado de fortes emoções e ficava com os olhos marejados de lágrimas quando relembrava o Padre Cícero levantando-se da cadeira calmo e serenos indo ajoelhar-se a seus pés para ser ouvido em confissão. A partir daquele momento, o Padre Azarias dedicou-se a refletir e analisar a densa, agitada, tumultuada e gloriosa história do Juazeiro e a atribulada trajetória de vida de seu padrinho de batismo. Por dez anos permaneceu na Diocese servindo com desvelo a Dom Quintino, nos momentos tensos da questão religiosa do Juazeiro. Depois foi exercer o cargo de Vigário na cidade de Milagres reunindo seus familiares mais próximos, quando sofreu intensamente o drama de sua irmã Micol, que se viu viúva uns 10 dias depois do casamento, sendo o seu marido brutalmente assassinado. Viu em Milagres o drama da seca de 1932 com centenas e centenas de retirantes acampados nas praças públicas de Milagre e crianças pequenas mendigando de casa em casa para não morrer de fome e o pobre vigário sem poder fazer a não ser o seu próprio pão. Aflito com a situação de calamidade reinante, o Padre Azarias foi a Fortaleza implorar ao interventor estadual recursos e meios para ao menos minorar o sofrimento dos flagelados. Depois da seca de 1932, foi para a cidade de Aracati onde dava aulas em escolas particulares e refletia sobre os acontecimentos do Juazeiro. Foi somente, no início da década de 1960, que o arcebispo do Ceará, Dom Delgado, convida o Padre Azarias para ser professor do Seminário da Prainha e concluir seus estudos sobre a questão religiosa do Juazeiro. Foi Dom Delgado quem conferiu ao Padre Azarias o seu mais glorioso título nobiliárquico: O Padre Azarias Sobreira é o padrinho do movimento pela "reabilitação" do Padre Cícero. Hoje, Azarias é o Padrinho do seu Padrinho de batismo." 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Parque de Biotecnologia poderá ser implantado em Juazeiro do Norte

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação – SEDECI, de Juazeiro do Norte, promoveu um encontro com representantes de Universidades, empresários e instituições para apresentar o projeto de instalação de um parque de biotecnologia no Município. O equipamento tem a finalidade de patrocinar, desenvolver e aplicar o conhecimento avançado na área de ciências da vida (humana, vegetal e animal). O Biocant Park já existe desde 2005, em Portugal.

Através do Biocant, diversas pesquisas e projetos são desenvolvidos a partir de iniciativa própria, onde a investigação é feita por colaboradores, por meio de contratos, quando é realizada mediante um contrato que impõe a prestação de serviços bem especificados; e através de consórcio, nos quais a investigação é realizada pelo BIOCANT em conjunto com outras entidades independentes.

Ao instalar o parque aqui no Cariri, a ideia é atrair investimentos nacionais e internacionais para iniciativas empresariais de conhecimento intensivo nas Ciências da vida. Além de também ajudar e incentivar jovens talentos das Universidades.

A apresentação do Biocant foi realizada pelo representante do parque no Brasil, Antônio Augusto. “O convênio do Biocant com o Estado do Ceará já existe desde 2015, e a partir dai se prospectou diversas regiões onde poderíamos iniciar nossos trabalhos. Recentemente o Prefeito e o Secretário nos procuraram e ai iniciamos essas tentativas, no sentido de ver quais são as possibilidades para a região”, afirmou.

Os próximos passos têm como objetivo encaminhar o projeto para a sua concretização. Entre eles, o de institucionalizar a decisão; definir os parceiros para o projeto e mapear o capital intelectual e recursos disponíveis; buscar parceiros de pesquisa no Brasil e exterior; buscar parceiros financeiros para o projeto; entre outros pontos. O Biocant na região do Cariri, irá representar um enorme salto nas pesquisas e projetos para o desenvolvimento da região.

A estadia do representante do Biocant em Juazeiro do Norte ainda foi estendida com visitas a diversos pontos estratégicos do Município, como a algumas indústrias e ao Horto. A ideia foi mostrar as potencialidades da cidade e a capacidade para receber um investimento desse porte. (PMJN/AI)

Fiscalização da SEMASP combate poluição visual

A Equipe de Fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Serviços Públicos (SEMASP) realiza ação de combate à poluição visual em Juazeiro do Norte. O trabalho teve início na última quinta-feira e já foram removidos 102 materiais de publicidade, dentre eles, placas, faixas, banners e cartazes anexados sem autorização em equipamentos públicos.

A ação está sendo executada de acordo com o Código de Posturas do Município, Lei Nº 10, de 19 de maio de 2006, e a Lei Municipal Nº 4426, de 31 de dezembro de 2014, que proíbem a colagem ou afixação adesiva de qualquer material de propaganda em postes, equipamentos públicos urbanos, base de suporte de outdoor ou semáforos, tapumes, pontos de ônibus e similares.

Com a medida, a SEMASP pretende reduzir a poluição visual na cidade, através de fiscalização, autuação, remoção do material e aplicação de multa para os infratores reincidentes. O objetivo da ação é tornar o espaço público mais bonito e organizado. (PMJN/AI)


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Prefeito Arnon Bezerra entrega praça Cônego Climério reformada



O Prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, reinaugurou, no último sábado, a praça Cônego Climério, que passou por restruturação. A entrega da praça reformada aconteceu durante o evento da 31° Malhação do Judas, no Bairro Socorro, produzido e organizado pelo grupo Resgatar. Durante o evento a população pôde se divertir com shows de calouros e concurso para adivinhar músicas. O som ficou por conta da cantora Zefinha Sanfoneira, que alegrou a todos com suas canções e entusiasmo.

 “As praças são muito importantes para todos nós, porque é onde a gente encontra amigos, é onde a família pode passear, onde os namorados se encontram e onde as crianças brincam. Eu fico muito feliz, entre tantos amigos, de poder compartilhar essa alegria que senti. Cada obra concluída será inaugurada de imediato”, destacou.

A Secretaria de Esporte, Juventude e Cultura (SEJUC), através do Secretário Luciano Basílio, doou à comunidade dois jogos de xadrez e uma dama a fim de que eles possam usufruir e se divertir ludicamente com os jogos. “O Xadrez e a dama serão para fazer parte da comunidade, onde o líder comunitário do Socorro irá tomar conta dos jogos para que todos possam ter acesso. 

O morador da Rua Santa Cecília e também integrante do grupo Resgatar, Paulo Sérgio, falou que o grupo tem o intuito, como o próprio nome diz, de resgatar a cultura da cidade de Juazeiro do Norte. Com relação à reforma da praça, Paulo disse que foi inesperada. “A gente não esperava. Foi uma reforma de primeira qualidade, inclusive tem benfeitorias que ninguém nunca fez, como as mesas e os canteiros. Ficou do jeito que a gente pediu”, afirmou. (ASCOM/PMJN)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

AFAJ entrega Comendas e lança livro em Juazeiro

Em solenidade  na noite de ontem no Memorial Padre Cícero, a AFAJ-Associação dos Filhos e Afilhados de Juazeiro realizou a entrega da 17ª Comenda Memórias de Juazeiro. Este ano os agraciados foram: Dr. Juvêncio Santana, Sr. José da Cruz Neves (Zeca da Cruz) e a Professora Maria Assunção Gonçalves. A saudação aos homenageados foi feita pelo Dr. Renato Casimiro, o qual também foi responsável pelo cerimonial do evento, juntamente com a Dr. Rosângela Tenório. O prefeito Arnon Bezerra este presente à solenidade a qual contou também com a presença de caravana composta por 17 pessoas, todas da AFAJ e vindas de Fortaleza, coordenada pelo presidente da entidade, Dr. Odival Limeira Lima, além da presença maciça  de parentes dos homenageados.

Livro
Na oportunidade, foi feito o lançamento do livro contendo as biografias de todos os homenageados com a Comenda, desde a primeira edição em 2001, quando foram homenageados: José Geraldo da Cruz, Manoel Francisco Germano e Odílio Figueiredo. A comenda foi criada em 8 de fevereiro de 2001, durante a gestão da presidente Maia Carmélia Pereira d’Alencar, autora da ideia de criação da comenda. A solenidade de entrega da Comenda conforme a proposta original ocorreria sempre na data do aniversário do Patrono da AFAJ, Padre Cícero Romão Batista, 24 de março, mas desde o ano passado passou a ser realizada em Juazeiro. 
Após a solenidade foi oferecido coquetel aos presentes, tendo se caracterizado como mais um feliz encontro de juazeirenses.    

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Coordenação de Arte e Cultura planeja restauração da antiga estação ferroviária

Uma equipe formada por engenheiros, juntamente com o Coordenador de Arte e Cultura do Município, Alemberg Quindins, estiveram na antiga Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte, para uma análise das condições estruturais do prédio e o planejamento da restauração daquele espaço para que ele se torne mais um equipamento cultural da cidade. A visita aconteceu na última sexta-feira.
Um dos objetivos é transformar o prédio histórico no Museu do Trem, que será um espaço de exposição permanente e contará a história da estação ferroviária, inaugurada pelo Padre Cícero em 1926. A ideia é realizar uma restauração arquitetônica ao invés de uma reforma física, com o intuito de se conservar a arquitetura original do imóvel e reconstruir alguns elementos que remontam ao tempo em que a velha estação ainda funcionava com a finalidade para a qual foi criada: embarque e desembarque de passageiros de trem que, durante várias décadas, foi o principal meio de ligação econômica de Juazeiro do Norte com várias cidades do Ceará e do Nordeste.
Segundo Alemberg Quindins, o próprio prédio será primeira peça do Museu. “Queremos, nesse espaço, trazer a memória do Museu do Trem. Queremos trazer vagões e colocá-los sobre os trilhos antigos e desativados que ainda estão em frente à estação. Eles serão ocupados com bares, cafés e ateliês. O novo equipamento terá oficinas de arte e exposições temporárias que circulam pela Região do Cariri”, comenta Alemberg.
Também faz parte desse projeto, a transformação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos, também conhecido como Metrô de Superfície) em um Centro Cultural sobre trilhos e fazer com que esse transporte seja um meio para circulação de arte, interligando as estações de Crato e Juazeiro do Norte. Essa ideia já foi apresentada verbalmente ao Governador Camilo Santana e deverá ser discutida com ele, em caráter oficial, em uma audiência com a presença do próprio Alemberg Quindins e do Prefeito Arnon Bezerra, para que se transforme em um projeto que seja realizado através de parceria firmada entre o Município de Juazeiro do Norte e o Governo do Estado.

Artistas defenderam o prédio histórico
A importância que alguns artistas locais, que ocuparam o prédio nos últimos anos, tiveram na defesa deste patrimônio histórico e cultural do Município ao impedir que ele tivesse sua estrutura drasticamente alterada, ou mesmo que fosse demolido, foi enfatizada pelo coordenador de Arte e Cultura. “Precisamos louvar esse papel que esses artistas tiveram ao se tornarem guardiões dessa estação, pois não permitiram que terceiros e, até mesmo administrações anteriores, derrubassem as paredes históricas da edificação”, lembra. Ele disse ainda que a Gestão do Prefeito Arnon Bezerra quer fazer um resgate da memória histórica de Juazeiro do Norte, por isso tem dedicado atenção e apoio às ações que resgatem e preservem alguns prédios históricos, a exemplo da própria estação, como também o Teatro Marquise Branca, o Centro de Cultura Popular Mestre Noza, onde era o antigo batalhão da polícia, e outros. (ASCOM/PMJN)

terça-feira, 11 de abril de 2017

Portal de Boas vindas em duplicidade. Um tem que ser demolido

Se a Prefeitura está usando este bonito portal de Boas vindas para quem entra em Juazeiro por via aérea,

Então, não há mais necessidade deste feioso
O certo é demoli-lo. 



Prefeito Arnon Bezerra chega aos 100 dias de gestão e presta contas de todas as ações administrativas


Os 100 dias de gestão do Prefeito Arnon Bezerra, em Juazeiro do Norte, completados ontem, culminaram com uma coletiva de imprensa, em que o gestor apresentou as realizações do seu governo, em todos os setores. Realizada no Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest), o evento contou com a presença de representantes de diversos meios de comunicação, além de vereadores convidados, secretários e assessores. Na ocasião, foi apresentada a nova logomarca da administração e identidade visual, além de um vídeo institucional dos cem dias.

A simbologia da nova marca, com ícones da cidade, foi exposta pelo secretário de Cultura, Alemberg Quindins. As características da religiosidade, memória, crescimento, pela verticalidade dos edifícios, mudando a paisagem urbana, e o slogan “Cidade de Fé e Trabalho”, lembram do líder e fundador, Padre Cícero Romão Batista. Além disso, conforme Alemberg, ressalta o Município com sua força de desenvolvimento, com a responsabilidade que a cidade tem para a região. “Traz também a importância para o patrimônio histórico, numa forma educativa para todo o juazeirense e caririense”, afirma.

O Prefeito Arnon Bezerra ressaltou todo empenho da equipe de secretários, e ressaltou obras já em andamento na cidade e outras já realizadas. Para ele, o importante tem sido atender às necessidades dos munícipes. “Vamos cuidar de Juazeiro do Norte como se fosse a nossa casa”, afirmou ele, ao conclamar toda a população para esse compromisso, fazendo com que os equipamentos públicos funcionem no atendimento ao cidadão.

Gestão administrativa
O Prefeito iniciou sua prestação de contas, pelo trabalho que vem sendo desenvolvido no âmbito da Secretaria de Gestão. Ele ressaltou o esforço que vem sendo empreendido para o pagamento de dívidas relacionadas às administrações anteriores superior a R$ 54 milhões. Os pagamentos efetuados até o momento são superiores a R$ 86 milhões. O prefeito ainda ressaltou o comprometimento da folha de pagamento relacionada aos professores, mas destacou o seu compromisso de atender ao máximo os servidores, no sentido de possibilitar o aumento no limite que puder oferecer. Ainda disse que irá convidar o próprio Sindicato dos Servidores Municipais, para acompanhar todo o processo de cálculos, a fim de possibilitar aumento relacionado ao funcionalismo municipal. A folha salarial do último mês abril chegou a mais de R$ 16 milhões.

Apoio ao setor agrícola
Além sido, ressaltou todo o apoio que vem sendo dado aos produtores rurais da agricultura familiar, com o fortalecimento do Programa de Aração de Terras (PAA), lançado no início do Governo, além do estimulo ao plantio, melhoria nos sistemas de abastecimento de água e recuperação de estradas nas diversas localidades da zona rural, beneficiando milhares de agricultores. O senso rural já chegou a mais de 900 agricultores.

Esporte e meio ambiente
No Esporte, o Prefeito apontou a sua prioridade para estímulo ao aos atletas, com a ocupação dos equipamentos públicos, como a quadra do Poliesportivo, quadras cobertas das áreas urbana e rural, além da realização de competições, corridas, foi efetuada a pintura do Romeirão, entre outros serviços. No meio ambiente, ele destacou o trabalho que vem sendo feito nas ruas da cidade, com a limpeza e podas das árvores, chegando a mais de 1.500, possibilitando um novo visual aos espaços públicos de Juazeiro do Norte.

Infraestrutura nas ruas
Na área da infraestrutura, Arnon Bezerra ressaltou o trabalho que vem sendo empreendido, na recuperação e abertura de ruas e projetos de drenagem que deverão ser iniciados, no sentido de minimizar os prejuízos causados pelas chuvas. Ele apontou localidades onde há problemas mais críticos, em bairros como o São José, Campo Alegre, Frei Damião e João Cabral.

Respeito ao cidadão e saúde de qualidade
O Prefeito ressaltou o seu objetivo de fazer uma administração voltada para o respeito e melhor conforto ao cidadão. Nas áreas de saúde, com atendimentos, distribuição de medicamentos, exames realizados, redução de filas, melhorias dos equipamentos, para atendimento aos usuários, além das reformas a serem iniciadas nos hospitais municipais. Melhorias já empreendidas nos atendimentos foram citadas, e o fortalecimento das ações na área da atenção básica, além da saúde bucal e mental.

A secretária de saúde, Nizete Tavares, destacou o trabalho de reterritorialização para o atendimento na área, com a parceria das áreas sociais e da educação. Este ano, foi registrado apenas um caso de dengue, com preocupação para 20 novos casos de tuberculose e novos casos de leishmaniose, além de 17 de hanseníase. Mas, metas foram alcançadas na área de imunização, entre outras ações.

Educação como prioridade
Na área educacional, o Prefeito Arnon Bezerra lembrou mais uma vez do seu interesse de melhorar os índices no quesito qualidade do ensino e atendimento ao aluno, e citou que uma das vitórias nesse sentido foi alcançada, por Juazeiro do Norte ser uma das cinco cidades brasileiras selecionadas pela Fundação Lemann, para atuar na qualificação dos gestores e melhoria do quadro educacional nos próximos anos.

Além disso, foram ressaltadas as seleções de novos profissionais para atender à área, seleção simplificada de intérpretes de libras, atualização do calendário do ano letivo, entre outras realizações. Atualmente, conforme a Secretária Loureto Lima, Juazeiro do Norte está com número superior a 29 mil analfabetos. O Prefeito municipal ainda lembrou do seu compromisso de melhorar equipamentos na Educação, possibilitando também a climatização das salas de aula. “Queremos ser os melhores, para que possamos competir em igualdade com os demais municípios do Estado do Ceará”, afirma.


No Desenvolvimento Social e Trabalho, o Prefeito destacou o fortalecimento dos diversos segmentos sociais e equipamentos que possam oferecer os serviços necessários para promover qualidade de vida do cidadão. Arnon Bezerra ressaltou ações relacionadas ao Restaurante Popular, Centro Pop, os Centros de Referência em Assistência Sociais (CRAS), dos bairros, em pleno funcionamento, e anunciou até o final do mês o funcionamento das cozinhas comunitárias, quatro delas já conquistadas para Juazeiro do Norte, e que estão passando por um processo de recuperação dos equipamentos para servir as comunidades mais carentes dos bairros Frei Damião, Horto, Vila Nova e João Cabral.

Fortalecimento da Cultura
Na Cultura, um trabalho de diálogo com os diversos segmentos da área vem sendo efetivado, além da avaliação dos equipamentos e melhorias de espaços, como o Memorial Padre Cícero e Teatro Marquise Branca, e o projeto de recuperação do Centro de Cultura Popular Mestre Noza, em parceria com o Estado, estiveram entre as ações empreendidas nesse começo de mandato.

Desenvolvimento Econômico e Turismo e Romaria
Os projetos no segmento do Desenvolvimento Econômico e Inovação, também mereceram o destaque do gestor, com a busca de projetos voltados para a capacitação na área e busca de novos empreendimentos que possibilitem o crescimento local.

No Turismo e Romaria, o Prefeito Municipal ressaltou o empenho de fortalecer e organizar cada vez mais as romarias, além de investir em espaços públicos que possibilitem melhor conforto para o receptivo aos visitantes e romeiros. O resultado desse trabalho começou a ser realizado por meio da organização durante as festas religiosas já realizadas durante esse começo de gestão.


Todos os setores receberam atenção especial do gestor durante a sua explanação. Arnon Bezerra destacou a autonomia de atuação que tem dado a sua equipe, com a devida supervisão do Executivo, para empreender um novo tempo para Juazeiro do Norte. Ele ainda citou equipamentos que estão com projetos de reforma, como os mercados públicos. O Hospital Maria Amélia se encontra com o projeto na fase de encaminhamento para licitação, além da Praça Padre Cícero, que será repaginada e ao mesmo tempo terá resgatada sua originalidade, com espaço amplo e paisagismo.
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ASCOM/PMJN)




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Considerações geohistóricas sobre a conurbação caririense - Por José Romero Araújo Cardoso

Entende-se por conurbação como a contínua, progressiva ou lenta conexão urbana interligando cidades, sendo mais constante em importantes pólos que concentram de forma efetiva o grande capital. Encontramos exemplos disso, respectivamente correspondentes aos mundos desenvolvido e subdesenvolvido, nas megalópoles que foram sendo estruturadas entre Boston e Washington (EUA) e Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil).

Fenômeno interessante vem sendo registrado no sul do Ceará, região fertilíssima que perfaz verdadeiro oásis, no qual se intercalam espécies vegetais características de quatro biomas (Mata Atlântica – Caatinga – Floresta equatorial Amazônica – Cerrado), na qual o Juazeiro do Norte se destaca como o mais importante centro, constituindo-se na segunda cidade do Estado do Ceará em população e importância econômica, status não muito tempo desfrutado por Sobral.

Surgida entre Crato e Barbalha, a atualmente importante cidade cearense de Juazeiro do Norte fôra outrora, no século XIX, pousio de tropeiros que iam e vinham pelas trilhas tortuosas das quebradas do sertão central, palmilhando a extensa zona que tinha Aracati como destino dos velhos almocreves que marcaram toda uma fase econômica no sertão nordestino. O Joazeiro, onde descansavam os importantes agentes econômicos sertanejos, os quais eram os responsáveis da condução do transporte de cargas, em um passado não tão remoto, foi abrigando ao seu derredor pessoas de várias procedências, já existindo, no ano de 1872, modesta capela dedicada a Nossa Senhora das Dores.

Integrante do espólio do Padre Pedro Ribeiro, o pequeno lugarejo do Joazeiro era composto de setenta e duas casas humílimas quando da chegada daquele que se tornaria o principal personagem da história do lugar. Acompanhado da mãe e das irmãs, vindos do Crato, Padre Cícero Romão Batista encontrou na localidade farta matéria-prima a fim de trabalhar vocação sacerdotal, tornando-se respeitado em razão da forma como efetivou reversão da penosa realidade moral do Joazeiro, verificada quando de sua fixação, a qual se revelaria definitiva e profundamente marcante para a expressão espaço-temporal do mais importante município que integra a conurbação Cra-Ju-Bar.

Protagonizando “milagre” quando ministrou comunhão a uma beata de nome Maria de Araújo, em missa celebrada na capela de Nossa Senhora das Dores, no início do mês de março de 1888, Padre Cícero, sem perceber de imediato, dava início a complexo processo de crescimento e conquista de importância político-econômica contínua, avassaladora e impressionante do mísero lugarejo, cuja população ainda era formada em boa parte por gente extremamente sofrida, excluída inflexivelmente da estrutura abastada e exclusiva formada a partir das práticas fomentadas a partir do final do século XVII pela “nata” da sociedade sertaneja agro-pastoril, responsável pelo implemento colonizador das perigosas porções interioranas, principalmente as do semi-árido nordestino.

Mitos antes mesmo da morte do velho vigário, no ano de 1934, o ícone Padre Cícero e o culto à sua figura assumiram proporções inacreditáveis, crescendo de forma impressionante nas décadas seguintes. Representam, em nossa época, uns dos mais importantes elementos culturais que singularizam o nordeste brasileiro.

Romarias contínuas, ano após ano, foram implementando fixação populacional em Juazeiro do Norte, a qual foi sendo direcionada em rumo dos vizinhos municípios do Crato e de Barbalha. Com significativo percentual de alagoanos e descendentes, tendo em vista que, de forma interessante, ecos do “milagre da hóstia” ressoaram impressionantemente em Alagoas, as manifestações da religiosidade popular nordestina refletem-se sobre os territórios dos três municípios caririenses, através da crescente massa de romeiros que decide ficar morando na terra em que o Padim Ciço deixou as marcas de seus calçados.

Molas propulsoras da dinâmica economia Juazeirense, os romeiros transgridem enraizadas tradições e disputas que marcaram as relações históricas entre os centros urbanos que integram a conurbação caririense conhecida por Cra-Ju-Bar. Lócus de disputas políticas acirradas, as quais marcaram indelevelmente as primeiras décadas do século XX, Juazeiro do Norte e Crato, principais cidades que integram o intrigante e interessante fenômeno urbano que singulariza a geografia urbana do sul do estado do Ceará, interconectam-se como fossem metáfora, referente às formas assumidas pelas exigências do capital, pois se faz necessária explicação sobre impossível processo em tempos pretéritos, a qual é compreendida através da divisão radical entre os dois núcleos, registrada pela história quando da mais impressionante demonstração de força efetivada pela articulação inusitada do messianismo com o coronelismo, cujo ponto culminante foi a guerra de 1914.

Rabelistas e Aciolistas, sendo que os primeiros, quando da guerra de 1914, se concentraram no Crato, enquanto os segundos ocupavam as trincheiras defensivas no Juazeiro do Padim Ciço, digladiaram-se em feroz luta armada que culminou na ocupação de Fortaleza pelos romeiros do Padre Cícero, comandados pelo caudilho Floro Bartolomeu da Costa, os quais retiraram à força, do comando no governo do estado do Ceará, Marcos Franco Rabelo, militar que representou a experiência salvacionista na terra de Iracema, cuja prática política foi enfatizada na gestão Hermes da Fonseca enquanto medida severa contra o eterno predomínio de tradicionais oligarquias que enfeudaram todas as regiões brasileiras durante maior parte da denominada república velha.

Em Barbalha, terra da matriarca Bárbara de Alencar, a ênfase à conurbação caririense segue sem se chocar de forma significativa com a história e a memória locais. Espaço e tempo, em ambos núcleos urbanos, estando Barbalha localizada a cerca de 15 km do segundo município do estado do Ceará, enquanto o Crato dista 16 km da terra do Padim Ciço, frisam às categorias harmonia efetiva da primeira cidade, acima mencionada, com o Juazeiro do Norte, em razão que não houve confrontos sérios como os que marcaram profundamente as relações sócio-culturais entre a terra que o Padre Cícero elegeu para efetivar-se e a que ele nasceu, velho burgo caririense comandado, por longo período, pelo “Coronel” Antônio Luís Alves Pequeno, padrinho e protetor do vigário Joazeirense.

A conurbação compreendida pelo eixo urbano formado pelos municípios cearenses do Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, se constitui em um dos mais curiosos fenômenos apresentados na paisagem e no espaço da geografia urbana estruturada pela ação do homem em território brasileiro, pois tal efetivação exige que explicações complexas articulem holística expressão de interdisciplinaridade enquanto fundamento às análises científicas concisas acerca da dimensão assumida pela importante estrutura geográfica que continuamente se efetiva, ano após ano, alicerçada indubitavelmente nas práticas culturais que permeiam a preservação e permanência das tradições populares nordestinas quanto ao culto devotado ao Padre Cícero, célebre figura de sua época, a qual tornou-se expressão tentacular e multifacetada da complexidade e dos desdobramentos do movimento que liderou e o tornou figura de proa da única manifestação messiânica brasileira que conquistou sucesso e respeito entre os donos do poder, os quais , experts na arte de lu
dibriar, há tempos imemoriais manipulam complexas estruturas que garantem a reprodução da hegemonia e da dominação.

Espaços nos quais se localizam no presente importantes atividades econômicas, responsáveis pelo fomento à lógica do capital, o eixo Crato-Juazeiro-Barbalha se caracteriza pela variedade das estruturas antrópicas apresentadas em suas paisagens artificiais, sejam no âmbito econômico-financeiro-industrial ou sócio-cultural, além das manifestações contraditórias do espaço, definidas pela forma como as relações sociais de produção são fomentadas. O fenômeno urbano que singulariza o cariri cearense desperta interesse pela forma ímpar como se concretiza, principalmente entre os geógrafos, em razão de permitir necessária compreensão da totalidade geo-histórica que embasa o polivalente e valioso objeto de estudo daqueles que enxergam o nordeste como fonte inesgotável de implemento a estudos científicos sobre a região que se singulariza pela proeminência de problemas e urgentes necessidades de se enfatizar proposta para soluções de dolorosos dramas sociais que persistem, tornando indignas as condições de vida da maiori
a, na qual se encontram diversas famílias de romeiros, entregues à própria sorte em espaços extremamente desconfortáveis, nos quais a carência impera, personificando, dessa forma, dramática injustiça social que desafia as lutas por melhores condições de vida para os excluídos da riqueza produzida na rica região polarizada pela “Meca Nordestina”.

*José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

FONTE: http://www.caldeiraodochico.com.br/consideracoes-geohistoricas-sobre-a-conurbacao-caririense/

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Arte no barro é tema de exposição em Juazeiro do Norte

O Sesc Juazeiro do Norte apresenta a exposição “E do Barro se faz...Arte” de autoria da artista plástica Maria Lourdes Cândido. A exposição está em cartaz na Unidade Juazeiro do Sesc e permanece até o dia 23 de abril, das 14 às 21h. A entrada é gratuita.
Maria Lourdes Cândido, natural de Juazeiro do Norte, descobriu seu talento brincando com os filhos. Ela moldava brinquedos de barro para entretê-los, quando começou a aperfeiçoar a arte. Não demorou e Maria de Lourdes ganhou notoriedade do público caririense. Dentre as obras mais conhecidas, podemos destacar a história do Padre Cícero Romão Batista, que foi fonte de inspiração para a artesã em diversos trabalhos. Sua arte pode ser apreciada em instituições e centros culturais do país, moldados em quadrilhas, reisados, lapinhas e bandas cabaçais. Os moldes, com os mínimos detalhes feitos por ela, tornam cada peça única.
Antes de falecer no ano de 2010, a artista plástica ensinou sua arte às filhas, que perpetuam no barro a história da mãe até hoje. Cada uma das filhas mantém produção própria e, juntas elas representam a força da mulher artesã do nordeste. A exposição é um misto de cores e uma viagem ao universo da arte do barro. A exposição “E do Barro se faz...Arte” é uma realização do Sesc em parceria com a produtora Kactos Produções.
Serviço:
Exposição “E do Barro se faz...Arte - Maria Lourdes Cândido
Local: Unidade Juazeiro do Sesc (Rua da Matriz, 227)
Visitação: até dia 23/4, das 14h às 21h
Informações: (88) 3512.3355
Acesso Gratuito

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Nordeste em Milão

Brasilidade.  Pedro Franco segura cadeira da coleção Cariri, que utiliza a madeira tauari, utilizada por artesãos brasileiros
Coleção de móveis inspirada na região do Cariri, no Ceará, resgata a cultura tradicional de artesãos e leva a arte brasileira ao mundo
O couro dos vaqueiros, a madeira dos artesãos e o cordel dos poetas se misturam para contar a história do Cariri, no sul do Ceará. Incrustada entre o sertão e as serras do Nordeste brasileiro, a região é conhecida pela cultura e pelos inúmeros mestres do artesanato que transformam qualquer matéria prima em arte. Em abril, entre os dias 4 e 9, toda essa brasilidade será levada ao Salão Internacional do Móvel, em Milão, na Itália. A curadora do projeto e responsável pela criação do espaço onde serão expostas as peças, a arquiteta cearense Ana Virgínia Furlani, passou, ao lado do designer Pedro Franco, diretor da Lot of Brasil, marca que desenvolve os produtos, semanas de imersão no Cariri para captar a atmosfera local e imprimir o estilo às cadeiras e outros móveis que serão apresentados ao mundo durante o evento. “Visitamos diversas oficinas de artesanato para chegar a essa inspiração”, diz. “Em um mundo tão acelerado, em que países como a China investem na produção em série, as pessoas vão enxergar a beleza e a poesia do trabalho artesanal”, diz Ana Virginia.

CULTURA EM CADA PEÇA
As cadeiras, mesas e sofás são assinados por designers brasileiros e estrangeiros. A linha Cariri, por exemplo, do italiano Andrea Borgogni, é composta por poltronas e mesas desenvolvidas com a madeira tauari, típica do País e utilizada por artesãos da região para esculpir estátuas religiosas. “Queremos levar valores locais que interessam ao mundo”, diz Franco. “O público nunca valorizou tanto a alma de um produto.” A partir do convívio com os mestres regionais, o design de outros móveis também foi pensado de forma criativa. A coleção Bamboo, de Alessandra Baldereschi, foi desenvolvida com fios de arame e tubos. “É uma estética inspirada nas cadeiras do interior do sertão, onde as pessoas têm o hábito de se reunir na calçada de casa para conversar”, afirma Ana Virgínia. Na mesma linha, o designer brasileiro Thiago Lutz criou a coleção de poltronas que leva o nome de Sertão. Para a confecção, foi utilizado o tear também para retratar um costume local. Além disso, Franco desenvolveu em couro o sofá Kaos, muito utilizado em todo o Nordeste, em função da herança dos vaqueiros.

Costume Peças das coleções Bamboo, Sertão e Estrella resgatam o tradicional hábito nordestino: reunir cadeiras nas calçadas para conversar
Costume Peças das coleções Bamboo, Sertão e Estrella resgatam o tradicional hábito nordestino: reunir cadeiras nas calçadas para conversa
Cariri ficou mundialmente conhecida também pela atuação do carismático padre Cícero, que, além de ser admirado e seguido por uma legião de fieis, incentivou a criação de oficinas de artesanato em toda a região metropolitana do Ceará. Assim nasceram as inúmeras manifestações culturais na pequena cidade. Hoje, essa atmosfera será reproduzida e apresentada a públicos de diversos países. O espaço de 60 metros quadrados será decorado com cenas da região e elementos tradicionais, e a história da coleção, contada por meio da literatura de cordel. “Há um retorno ao tempo lento e à valorização do artesanal. E levar um pouco do Cariri ao mundo é a melhor forma de incentivar essa tendência”, diz Franco. A coleção chega ao Brasil em maio.

Fabíola Perez, Isto É

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Prefeitura avança para a realização da reforma do Centro de Cultura Popular Mestre Noza

A Prefeitura de Juazeiro do Norte obteve mais um importante avanço para  a realização da reforma do Centro de Cultura Popular Mestre Noza. O Secretário-Adjunto da Casa Civil do Governo do Estado, Quintino Vieira, visitou o local com uma equipe técnica, composta por arquitetos e engenheiros, para uma avaliação arquitetônica, juntamente com a Secretária de Infraestrutura do Município, Gizele Menezes e o Coordenador de Cultura de Juazeiro do Norte, Alemberg Quindins.
Ocorrida na última sexta-feira, 31 de março, a visita foi precedida de uma reunião entre os Secretários no Iu-á Hotel, onde discutiram as ideias para o projeto arquitetônico que vem sendo elaborado por Gizele Menezes, através de diálogos com a Coordenação de Arte e Cultura e os artesãos que ocupam o Centro Mestre Noza. O projeto tem a finalidade de qualificar e dimensionar o espaço tanto para a produção como para a comercialização de suas obras.
Partindo do desejo do Prefeito Arnon Bezerra de transformar o Mestre Noza em um local mais atrativo para os turistas que visitam a Região do Cariri e que, ao mesmo tempo, proporcione um maior conforto para os artistas que trabalham naquele espaço, o novo Mestre Noza deverá abrigar, além das oficinas de produção e lojinhas de comercialização, um espaço de convivência, com pequenos Cafés. A ideia é que o público possa utilizar o espaço para convivência, trocas de ideias ao mesmo tempo em que os artistas estão trabalhando.
Esse desejo da Gestão Municipal dialoga com o pensamento da Primeira Dama do Estado, Onélia Leite Santana. Na visita que fez ao Centro Mestre Noza, no dia 27 de março, ela manifestou a intenção do Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Juazeiro do norte, de transformar o Centro Mestre Noza num local de referência cultural e turística do Ceará, criando condições para ele venha integrar o roteiro e os catálogos turísticos do Ceará.
O subsecretário da Casa Civil Quintino Vieira, acredita que a reforma deve contemplar não só os anseios dos que convivem diariamente no Centro Mestre Noza, mas também para os turistas que visitam a cidade. “Nós vamos criar um projeto escutando a população e o comércio local e trabalhar para que as coisas aconteçam o mais rápido possível”, afirma Quintino Vieira.
Além da estrutura arquitetônica, o Subsecretário está atuando também para que a Procuradoria do Estado possa fazer uma análise das viabilidades jurídicas que devem orientar o processo de reforma e suas implicações. “Nós queremos mostrar para a Prefeitura como o processo deve acontecer juridicamente para resguardar todos os envolvidos”, diz Quintino Vieira. A reforma deve fazer um resgate histórico das características físicas do prédio, onde funcionou a sede do batalhão de Polícia Militar, no Município. (ASCOM/JN)