sábado, 7 de maio de 2011

Lembranças da Rua São José I - Dona Della
Hoje trago uma pessoa muito simpática, amável, dócil e educada com quem convivi por muitos anos frequentando sua casa. Trata-se de Landelina de Vasconcelos Bispo, carinhosamente chamada de Dona Della, residente na Rua São José, 793, próximo a minha residência. Ela foi professora do Círculo Operário São José e do Tiro de Guerra, pessoa muito responsável, nada a fazia faltar ao trabalho. Sempre a via com uma pasta contendo a chamada e os livros que  usava para ministrar suas aulas, e uma bolsa a tiracolo. Era muito querida pelos seus alunos, eles sempre a acompanhavam até a sua casa, isto porque ela trabalhava à noite. Muito dinâmica e batalhadora, não se satisfez só com a profissão de professora e investiu noutra profissão e criou em sua própria residência uma minifábrica de confecções de artigos para cozinha, como roupinhas para vestir  liquidificador, bujão de gás, toalha para fogão, pegador para geladeira etc. Confeccionados em plástico transparente tipo caroçudinho,  como se fosse umas bolinhas, de várias cores, amarelo claro com florzinhas, verde claro, azul claro, rosa com flores brancas, liso de várias cores... parece que estou vendo! Os fardos de plásticos, dentro dos rolos encostados na parede, era assim sua sala de trabalho. Lembro que quando ia para sua casa sempre a encontrava trabalhando, cortando o material para entregar para as funcionárias executarem o acabamento. As peças que confeccionava eram muito procuradas e por isso havia várias pessoas trabalhando para que dessem conta das encomendas. Os conjuntos, alguns feitos com aplicação de frutas, outros com tirinhas pregueadas como fluflu, com gatinhos, coelhos aplicados, a variedade era enorme. Ela usava muito a imaginação para criar modelos novos. A clientela era grande, abastecia as lojas do Mercado Público, algumas pessoas compravam para vender noutras regiões e vendia também no varejo para atender a alguma amiga que desejava comprar. Fui clientela dela. Também fabricou muita dorminhoca, a bonequinha que ficava deitada de bruços na cama. O material usado para confeccioná-la era pelúcia, de cor rosa ou azul. Tinha um rostinho lindo, olhos azuis e uma franjinha de cabelos louros dentro do chapéu. Apareciam somente as mãozinhas, os pés faziam parte do corpo. Na barriga pregava-se um zipper onde se guardava a roupa de dormir. Era uma gracinha. À medida que ia terminando de confeccioná-las ia colocando-as em cima da cama, ficava linda a fileira de bonecas expostas, o colorido chamava  atenção. Dona Della sempre cordial, risonha e com uma voz muito mansa, recebia as amigas e amigos dos filhos com muito carinho e sempre oferecia lanches. Lembro de um que apreciava bastante: goiabada de lata com queijo de coalho cortado os pedacinhos, que hoje tem um nome requintado - Romeu e Julieta. Ah, que tempo bom! Sempre que a encontrava na rua ela parava para me cumprimentar e  aproveitava para cobrar uma visita, isso quando eu já estava casada. É bom relembrar o tempo passado com pessoas que nos fizeram felizes e que nos deixaram saudades! Atualmente sua casa não existe mais, pois foi vendida, demolida  e o terreno incorporado à Clínica Hospitalar São José.          

Na montagem fotográfica acima vemos, no sentido horário: Dona Della, sua casa e alguns dos artigos que ela confeciconava (camisa de liquidificador, dorminhoca e toalha de fogão).
A dorminhoca pertence a Inácia Gomes e o conjunto de capas de liquidificador e fogão são de Iraci Moreira, a quem agradeço pela gentileza de me fornecer para fotografar.

E-MAILS RECEBIDOS
Oi Neuma, sou sua fã e do blog todo...você não esqueceu nenhuma das nossas brincadeiras infantis  noturnas. Naquele tempo,  quase sempre em todas    as calçadas  que  passávamos estavam    riscadas de carvão com a brincadeira   da  macaca. O importante é que todos participavam, independentemente do nível social ou financeiro. Nas férias, na fazenda de papai, os filhos dos trabalhadores todos participavam das rodas de ciranda, lado direito desocupado, entre outras. Fomos de uma época feliz!!!!!!
Tereza Fátima, Juazeiro
Oi minha amiga Tereza, você sempre presente acrescentando informações que enriquecem e trazem para o conhecimento dos nossos assíduos leitores o que aconteceu em épocas passadas e também fazendo lembrá-los de que também fizeram ou participaram de tais brincadeiras ou já ouviram falar.
Grata e um abraço, feliz Dia das Mães.
Tereza Neuma

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