quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Jovem cidade, rica história


            Todos sabemos que Juazeiro do Norte foi emancipado em 22 de julho de 1911. Mas, para este fato acontecer houve uma série de episódios, os quais culminaram com uma grande manifestação de amor e altivez por parte do povo juazeirense: a proclamação da independência no dia 30 de agosto de 1910.
            Naquele início do século XX, Juazeiro já possuía uma população duas vezes maior que Crato. Possuía também muitas casas, escolas, áreas de plantios diversos, e um crescente comércio. Isto resultado da migração de milhares de romeiros atraídos tanto pelo fenômeno do milagre da hóstia quanto pelos ensinamentos do Pe. Cícero. No entanto, apesar de todos estes predicados, Juazeiro continuava sendo apenas um simples povoado de Crato.
            Cientes de sua capacidade de construir e governar sua própria cidade, o povo juazeirense começou a reivindicar a emancipação. Foram anos e anos de muitas discussões políticas e tentativas de acordos diplomáticos. Tudo protagonizado principalmente pelo Pe. Cícero, Dr. Floro Bartolomeu, José Marrocos e Pe. Alencar Peixoto.
            Mas todos os esforços das autoridades juazeirenses esbarravam na teimosia e no capricho de alguns políticos de Crato e Fortaleza, como o Cel. Antônio Luiz e o governador Dr. Aciolly. Eles prometiam assinar a emancipação, mas quando chegava o momento de cumprir a promessa, arranjavam uma desculpa e adiavam para o ano seguinte.
            Depois de esperar por vários anos e sempre se frustrando, o povo de Juazeiro se cansa e decide proclamar a independência por conta própria. Continuariam a respeitar o governador do estado, mas não pagariam os impostos para Crato. Milhares de pessoas saem às ruas para festejar. Um grande desfile cívico é realizado. Inspirados discursos das autoridades locais são aclamados.
            É claro que no primeiro momento os dirigentes cratenses não aceitaram a separação de Juazeiro. Contudo, por intermédio da força política do Pe. Cícero, e pelo apoio incondicional à causa juazeirense pelas outras cidades caririenses, como Barbalha, Missão Velha e Milagres, finalmente a paz é estabelecida na região.
            Diante deste pequeno resumo histórico, podemos exaltar a grandeza do povo juazeirense, que não permaneceu inerte e lutou, de forma pacífica e ordeira, pela emancipação de nossa cidade.
            E este espírito guerreiro não pode ser esquecido com o passar dos anos. Por isso sugiro às autoridades competentes a obrigatoriedade do ensino da História de Juazeiro nas escolas públicas e particulares. Possuímos autores valorosos. Renato Casimiro, Daniel Walker e Paulo Machado são alguns exemplos de uma rica constelação de autores e estudiosos. Falta o poder público universalizar o acesso de seus livros aos jovens juazeirenses.
            Reconheço o esforço de várias escolas e entidades em abordar esporadicamente o nosso glorioso passado. Mas este ensino deve ser contínuo a fim de despertar a visão crítica dos alunos diante da vida de nosso grande padrinho e patriarca Pe. Cícero e de todos os heróis que contribuíram para o desenvolvimento ao longo das décadas de existência desta jovem cidade.
            A História de Juazeiro é fascinante, e nos faz cada vez mais orgulhosos de nossa origem.


Um comentário:

Antonio Cariry disse...

Parabéns pelo artigo Dr. Paulo Leonardo Celestino. Um artigo corajoso e verdadeiro. É uma vergonha uma cidade do porte de Juazeiro não ter uma "politica de educação para os fatos locais" estudado até em outros países.Outro dia acompanhei de Acopiara à Juazeiro, um padre e dois seminaristas de São paulo em visita ao Ceará e desejavam conhecer a realidade de Juazeiro, antes do embarque. chegamos às 10h e particularmente passei vergonha, deixamos de visitar alguns pontos da história do Juazeiro, fechados para o almoço... muitos romeiros nas ruas. Falei da sorte de ser dia de semana. Final de semana Juazeiro só oferece missas. É por isso que o trabalhador juazeirense desconhece a própria história...