domingo, 19 de setembro de 2010

UM BEATO PERFUMADO - - por J. Ronald Brito

Os beatos que conheci na decada de cinquenta do seculo passado em Juazeiro, nao tinham nada de perfumados. Eram homens magros, barbados, mal vestidos e fedorentos: se fossem beatas não se distanciavam miuto destas caracteristicas.
Lembro-me das pregações desventuradasdo beato Jose e de sua ojeriza a homens afeminados; quando os encontrava, vociferava:
- Homem rapariga, você esta no inferno!
Existiam outros que não me recordo dos nomes.
Da ala feminina so consegui lembrar da beata Julia, que cuidava do urubu-rei, remanescente dos viveiros do Padre Cicero.
Porem, nas primeiras decadas do seculo, habitou um Juazeiro um beato, que apesar de analfabeto exerceu sobre a comunidade, mais conhecida como Caldeirão, uma liderança sem precedentes na região: Jose Lourenço. Essa liderança começou a surgir quando o Padre Cicero alugou um terreno de Joao de Brito, irmão do meu avô paterno, no municipio de Crato.
O sitio Baixa Danta estava semi-abandonado quando o negocio foi fechado. O beato mudou-se para lá e começou a fomenta-lo para receber romeiros "flagelados" que chegavam a Juazeiro de toda parte do Nordeste. Bastou dois anos para o Beato transformar o sitio numa verdadeira " terra prometida".
Segundo meu avô Britinho ( Manoel Vieira de Brito) o Beato era um homem pratico, de boa aparencia, de conversa fluente e sociavel. Conhecia e visitava os ricos da epoca e tambem os recebia na sua comunidade. Quando algum deles se deparava com um problema agricola ou agropecuario, ja sabia onde ir buscar a solução.
Disse-me tambem, que quando o beato estava na sua comunidade e sem visitas, vestia-se igual aos comuns e não encontrava rival no trabalho pesado; porem, quando ia a cidade ele mudava de figura: usava terno bem talhado, botas polidas, chapeu e muita agua de cheiro. E, quando montado em seu cavalo "trancelim", se aproximava, sentia-se logo o aroma de perfume importado.

3 comentários:

SOS DIREITOS HUMANOS disse...

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br
http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com

IDERVAL TENÓRIO disse...

Amigo Otoniel Dourado, este assunto de suma importancia para a Sociedade Brasileira, principalmente Juazeirense ja deveria ser abordado com mais veemência e seriedade.Viva so Direitos Humanos. Estou a divulgar para os internautas esta emplgante atitude. Avante. Iderval Reginaldo Tenório

http://iderval.blogspot.com

Valdecy Alves disse...

Vejam matéria e fotos do making off das filmagens para o documentário sobre CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO, a comunidade que foi aniquilada, a exemplo de Canudos, por balas e bombardeios aéreos. Leia, Comente e divulgue: http://valdecyalves.blogspot.com/2010/09/caldeirao-de-santa-cruz-do-deserto.html