segunda-feira, 27 de junho de 2011

23 DE AGOSTO DE 1910. A Câmara Municipal de Missão Velha comunica oficialmente à Assembleia Legislativa do Ceará que aceita ceder um pedaço do seu território para formação do município de Juazeiro cuja independência estava sendo pleiteada. Padre Cícero foi muito grato a Missão Velha por esta iniciativa, pois sem essa cessão de terra o povoado de Juazeiro não teria conseguido a área necessária para formação do seu município. A medida, claro, irritou o prefeito cratense.

Documento de cessão de terra de Missão Velha a Juazeiro
SAIBA MAIS. Ainda hoje Juazeiro é um dos menores municípios do Ceará em extensão territorial. Sua área que originalmente era de 211 km2  atualmente é de 249 km2.

30 DE AGOSTO DE 1910. Logo às primeiras horas da manhã, os juazeirenses foram arrastados à rua atraídos pela divulgação de um pequeno, mas explosivo boletim impresso aos milhares na gráfica de O Rebate, estampado nos seguintes termos:

ATITUDE DO POVO DE JUAZEIRO, QUALQUER QUE SEJA A SOLUÇÃO. 1) Não mais reconhecer o Coronel Antônio Luís como seu chefe. 2) Não pagar impostos municipais à Câmara do Crato, nem a nenhum procurador ou representante dela. 3) Pagar os impostos estaduais e federais. 4) Submeter-se à direção política do Exmo. Sr. Dr. Accioly. 5) Não atacar nem agredir a ninguém, procedendo com toda calma. 6) Unirem-se todos para juntos trabalharem pela Liberdade e pelo Progresso do Juazeiro. 7) Se o Coronel Antônio Luís entender que deve mandar cobrar os impostos municipais à custa de armas, reagir também pelas armas, com todo heroísmo, desde o maior ao menor, sacrificando a vida, o dinheiro e tudo que possa ter. 8) Morrer ou vencer pela Liberdade do Juazeiro.
O Povo.

Aproveitando o clima de euforia do povo juazeirense o coronel José André de Figueiredo expede juntamente com outros cidadãos telegramas ao comércio do Crato, Imprensa da  Capital e entidades comerciais de Recife e Fortaleza, dando ciência das resoluções tomadas pelo povo. Os telegramas enviados diziam o seguinte:

Povo Juazeiro, cansado prepotência coronel Antônio Luís, chefe Crato, resolveu não sujeitar-se sua direção política, nem obedecer  resolução Município Crato, proclamando sua independência hoje. Não pretendemos atacar Crato, mas, receando venha ordem chefe ataque Juazeiro, nós, sócios Associação Comercial e negociantes aqui, pedimos intervenção junto Governo, satisfazer povo, fim evitar luta possível, prejuízos capitais comércio Fortaleza e Recife aqui existentes nosso poder.   As. José André de Figueiredo (e mais 24 pessoas)

31 DE AGOSTO DE 1910. Nova passeata acontece com o mesmo objetivo.  As passeatas tiveram grande repercussão na capital cearense, notadamente junto ao alto comércio e por isso a entidade máxima da classe dirigiu ofício ao presidente do Estado encerrando com os seguintes termos:

Ninguém mais que a Associação Comercial pode desejar que venha ter afinal uma solução pacífica a questão de que se trata, por isso que uma luta se ferindo nessa zona muito comprometeria os interesses do comércio desta praça. Muito confia a Associação no critério de V. Exa. a quem apresenta os seus protestos de alta consideração.
1º DE SETEMBRO DE 1910. Em resposta ao ofício referido na efeméride acima, o presidente Accioly escreveu:

O comércio do Juazeiro pode estar tranquilo: do Crato não partirá o ataque de que se mostra receoso. Nem está isso na intenção dos que ali têm responsabilidade da direção dos negócios políticos, nem o Governo do Estado, que dispõe naquela zona de força numerosa para manter a ordem, consentiria fosse esta perturbada, pois neste sentido são as intenções existentes.

Esse pronunciamento mais ou menos tranquilizador foi transmitido ao coronel José André em documento anexo a uma carta da Associação Comercial do Ceará, firmada por seu presidente, Manuel Sátiro, com data de 5 de setembro. Apesar dessas notícias dignas de crédito, porque oriundas de fonte oficial, persistiam boatos alarmantes de que o prefeito cratense estava disposto a arrasar o povoado e para tal contaria até “com auxílio da força federal”.
A esses rumores, porém, a população juazeirense reagiu vigorosamente, redobrando a vigilância armada contra a possível ameaça de ataque. Nesta mesma data Padre Cícero toma conhecimento de que o major Joaquim Bezerra de Menezes havia tentado patrocinar a autonomia de Juazeiro, em Fortaleza.

3 DE SETEMBRO DE 1910. O prefeito do Crato envia um batalhão de polícia a Juazeiro sob o pretexto de cobrar impostos atrasados. A população, revoltada, organiza passeata de protesto e monta plantão na Praça da Liberdade (atual Praça Padre Cícero) com forte vigilância armada. Depois dirige-se à redação de O Rebate, passando pelas residências de José André, Padre Cícero, João Bezerra e Cincinato Silva, percurso este permeado de discursos, música e foguetório. Juazeiro estava mesmo em pé de guerra! 


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