sábado, 26 de fevereiro de 2011

Caligrafia e Tabuada
Há poucos dias um jornal televisivo trouxe um assunto muito interessante que por coincidência O venho discutindo com amigos e parentes. É sobre a caligrafia, a letra legível que ultimamente está ficando em último plano porque o computador facilitou demais a vida dos estudantes. Quando tem um assunto, uma disciplina que merece uma pesquisa mais aprofundada tudo é encontrado e cadê necessitar o esforço da cópia para exercitar a caligrafia, para aprimorar e conseguir uma letra mais compreensiva, não se faz mais uso deste expediente, o que se faz, então? Usa-se o computador que tem um excelente artifício que é a impressora que executa sem nenhum esforço o que deveria ser feito pelas mãos dos alunos . Na minha época escolar, quando estudava no Instituto Paulo Sarasate, Menezes Pimentel e Monsenhor Macedo, a Caligrafia era uma matéria do currículo com uma aula por semana e tinha que exercitar também em casa, eram corrigidos os exercícios e as notas eram colocadas na caderneta escolar. O correto seria continuar com esta prática, o que surte efeito positivo é mais do que justo ter continuidade. Na escola que minhas netas estudam esta prática é adotada e aplaudo com entusiasmo porque a letra delas para o curso que elas frequentam é bem bonita. É oportuno salientar que o computador não faz tudo o que queremos, como por exemplo, um recado rápido, pequenas anotações, atas, redações, testes, tudo isto se precisa da escrita, e se a letra for garrancheira, ilegível é impossível entender. É corriqueiro passar por nossas mãos consultas médicas com letras difíceis de serem decifradas, que temos que adivinhar o que foi prescrito e olhem, algumas vezes nem os balconistas de farmácias que nos atendem conseguem decifrar. Felizmente foi aprovada no Senado uma lei que exige dos médicos que a receita seja impressa ou letra de forma. Neste caso menos mal, assim não arriscamos nossa saúde com medicamentos que não foram bem entendidos e até algumas vezes aviados erroneamente. Outro método muito eficiente nas escolas em tempos idos foi o uso da Tabuada, eita, coisinha que metia medo, pois era necessário decorar as quatro operações: adição, subtração, multiplicação e divisão. Tinha que estudar mesmo, pois caso não aprendesse bem, na hora da sabatina errava, e o que acontecia? Seu conceito ou nota era reduzido ou então, em algumas escolas usava-se a palmatória (como a da conhecida professora Toinha Gonçalves, no Bairro do Socorro), por cada erro cometido tinha o número de bolos. O aluno não titubiava, estudava pra valer. A pedagogia moderna não aprova mais o uso da “decoreba”, de decorar as casas de todas as operações porque acredita que é uma ofensa para a memória e a inteligência dos alunos do final do século passado e deste século. O que veio então, para favorecer a mente dos alunos e não mais sobrecarregá-la? A calculadora, que maravilha de objeto. Não precisa de nenhum esforço, de quebrar a cabeça, de decorar de cima para baixo e de baixo pra cima, salteando, tudo ficou muito fácil. Basta acionar os números e colocar o sinal da operação, que imediatamente, num passe de mágica, aparece o que você está buscando, mas, é necessário que o abuso e o uso indiscriminado não sejam praticados, porque em certos momentos a continha de cabeça, a continha feita no papel, se torna necessária e aí o pior acontece, não saber efetuar a conta, a multiplicação, o troco e neste caso se passa vexame. O ideal seria que as escolas, os professores cobrassem com mais intensidade a prática desta metodologia que foi utilizada por muitos anos e que deu muito certo. Tenho lembranças das lojas de tecidos onde costumava comprar, como Casas Daher, Casa Sampaio, A Pernambucana, nas quais eu me admirava da rapidez como as vendedoras faziam a conta do corte de tecido e ainda costumavam tirar a prova dos noves, feita no verso da nota fiscal. E dava certo. Fui durante muitos anos cliente assídua de Consuelo Leitão, que trabalhava na Casa Rosada, de propriedade do senhor Vicente Teixeira. Ela era uma vendedora de mão cheia e exímia nas contas, nos cálculos, rapidinha nos entregava a nota. Bons tempos, boas lembranças. Minha admiração a esta época.
Foto da antiga Casa Rosada, localizada na Rua São Pedro.

Foto de um dos antigos Cadernos de Caligrafia e Tabuada
E-MAILS RECEBIDOS:

-Oi Neuma, foi ótimo lembrar os cines do Juazeiro que frequentáavamos na nossa adolescência. Aos domingos tinha um horário de 10hs as 12hs. Quando saíamos da sala escura nos deparávamos com a claridade do sol do meio-dia, o único jeito era todo mundo com os olhos quase fechados ou com os dedos nos olhos para amenizar a claridade, pois na época óculos escuros ainda não eram muito usados. Os filmes foram bem lembrados, só esqueceu "Quando Setembro Vier", com Sandra Dee, Rock Hudson, Gina Lolobrigida Bob Darin. Além da música com o mesmo nome do filme tinha outra intitulada Multiplication.

Tereza Fátima, Juazeiro

Resposta: Tereza, seu comentário incrementou mais informações sobre os cinemas que já frequentamos em nossa Juazeiro. Estou supersatisfeita pelo que estou causando nos nossos leitores, a ressurreição de coisas acontecidas que estavam adormecidas e vieram embalar a memória dos participantes. Realmente esqueci de mencionar esta preciosidade, "Quando setembro vier", foi um filme deslumbrante. Aleluia!

- Minhã irmã e comadre, ficamos muito felizes com a ilustre presença do casal 20. A sala é pequena, mas é igual ao nosso coração - sempre haverá um lugar para vocês dois.O mais legal de tudo é que reunimos muitos familiares. Foi um momento luminoso do qual lembraremos sempre. A nossa miniatura de cinema tenta resgatar os antigos cinemas da nossa infância e adolescência.

Beijos e obrigada por trazer de volta da nossa memória as lembranças de um tempo maravilhoso!

Analuce, Fortaleza

Resposta: Analuce e Júnior, somos gratos pela recepção e aconchego que sempre recebemos de vocês e fico feliz pela oportunidade que tivemos de participar e de reverenciar uma época vivida com intensidade junto com pessoas queridas. Tchau.

- Neuma: Tem uma musica que diz " Mais que seu filho eu fiquei seu fã", eu repito assim " Mais que sua prima sou sua fã". Sou sua fã pela pessoa que você é e por tudo que você escreve no blog do juaonline. É maravilhoso recordar tantas coisas boas. Dessa vez você até surpreendeu ao colocar as fotos dos cinemas e dos chicletes que fazem parte de tudo que vivemos. Parabéns, e continue nos presenteando com sua coluna.

Lúcia Macedo, Fortaleza

Resposta: Lúcia, minha prima amiga, você com seus elogios está me deixando igual a um pavão toda vaidosa. É legal sentir que estou despertando este sentimento de alegria nas pessoas.

- Oi, mainha: vi seu texto no blog, finalmente.... muito lindo, também me lembrei de lembranças de quando via os filmes de Tarzan, todos os domingos. O ingresso era uma nota de 5 cruzeiros com D. Pedro II. Também me emocionei com o texto embaixo falando da conversa com seu Expedito e do Cine Eldorado de hoje. Vou até mostrar a Katiuscia, visto que Paulino é muito amigo dela - talvez a senhora não lembre, ele esteve no almoço do nosso casamento, e eu falei que ele foi colega de sala de Daniel Jr.

Bjs Michel, Crato

Resposta: Oi meu filho, obrigada pelo lembrete e por acrescentar mais informações sobre o tema discutido na semana anterior. Fico orgulhosa de ter gostado da matéria, pois você é expert no assunto.

- Que bela matéria rememorando os cinemas de Juazeiro do Norte. Não dá para ocultar em nossas lembranças os Cines Eldorado, Plaza e Capitólio. Afinal, foram neles que elaboramos os nossos sonhos hollywoodianos. Se hoje nos isolamos em nossos e-mails, sites, msns e outras formas de comunicação, naquele tempo teria que ser mesmo daquele jeito. No final das sessões de cinemas, tínhamos opções interessantes: passear na Beira Fresca, ou mesmo (conforme a hora) dá um giro nas feirinhas da Rua São Pedro, ou mesmo se deliciar com os doces de um comerciante (cujo nome me foge à memória), mas sei que era vascaíno ardoroso lá na Santa Luzia. A coisa é tão marcante em nossas vidas que mesmo até hoje, lembro-me de um filme que assistí no Capitólio e chamava-se BEIRUTE. E uma cena recordo perfeitamente: um militar desativando minas de bomba com um punhal com uma habilidade quase cirúrgica. O bviamente temendo que a mesma explodisse. E vem todos esses que você citou, Submarino Amarelo, Help, filmes de Cantinflas, Elvis (passava quase que quinzenalmente). E poderia citar muitos outros. Mas, enquanto eu lia a matéria dos cinemas, lembrei. Por que as famílias não provocam programas assim. Não deixa de ser uma excelente oportunidades para encontros (coisa que está se tornando um fenômeno). E tenho certeza que as pessoas que testemunharam esse tempo vão dar boas risadas. É só esquecer um pouco o preconceito e rodar o filme. Abraços fraternos e parabéns mesmo. Gostei imensamente".

Francisco Carlos Pontes, Parnaíba-PI

Resposta: Carlos Pontes, fico lisonjeada por tê-lo como um leitor assíduo e por apreciar as minhas lembranças e ainda mais, sabendo que lhe transportei para tempos felizes que já vivemos. Quanto ao comerciante que você mencionou da lanchonete é Madeilton Alexandre, ele participou durante um longo tempo como comentarista esportivo aqui. A lanchonete continua funcionando no mesmo local.

- Algumas pessoas que leram a coluna cobraram a foto de minha companheira de trajetória no cinema, D. Sevi, genitora de Aguinaldo Carlos, então, segue abaixo para a apreciação de todos.



Nenhum comentário: