sábado, 11 de dezembro de 2010

SEU LUNGA, POR AÍ... Tirei uns dias para viajar entre RN, PB e PE. Em Natal vou ao Centro de Turismo em busca de obras raras numa bem cuidada livraria que há no pavimento superior. Por lá encontro publicações sobre Juazeiro e me dou por satisfeito. Na saída, dou de cara com folhetos de cordel e, sem mais surpresa, “As novas, velhas, e mais velhas ignorâncias de Seu Lunga”, em 5 volumes, de Izaias Gomes de Assis, editados pela Ed. Chico, de Parnamirim. E da mesma editora, As mais novas ignorâncias de Seu Lunga, de Neuza Romão. O livreiro, pelo interesse do freguês, puxa conversa e lá se vai uma prosa de se medir a metro. Seu Lunga para os papagerimuns não é mais sujeito. É predicado. Sigo viagem para João Pessoa. Leio pelo Correio da Paraíba que não é só Juazeiro do Norte que tem o seu, mas também por aqui há diversos Lungas. Um destes, conforme a coluna muito lida de Helder Moura é o Zezé da Pizzaria Kactos, em Patos – alto sertão, a meio caminho do Cariri. Dia destes um amigo, e olha – amigo, no caso o bancário e seresteiro Radaneau, um sujeito boa praça, das bandas de Conceição, estacionou na frente da loja e gritou: “Ô Zezé, prepara aí uma mista para mim.” Uma hora depois, marcada de relógio, tal foi a espera, o Radaneau manda outro grito, cobrando a encomenda. No que prontamente o Zezé lhe diz em bom som, no mesmo tom: “Se você não descer desse carro, não vai comer pizza, nunca...” E pelo que percebi, gente assim como esta aqui se trata como Seu Lunga, sem apelação e defesa. Estico caminho para as lojinhas de Tambaú e Manaíra. Há coisas lindas no artesanato paraibano, especialmente no vestuário com trabalhos belíssimos em tecidos de algodão colorido. Também em madeira e metais. De olho no cordel e na xilogravura, dou de cara com novos autores de folhetos, como Vicente Campos Filho (Seu Lunga, o mau-humor em pessoa; e Seu Lunga no Rio de Janeiro). Tenho observado também que a xilogravura está voltando com muita força para as ilustrações de capas de folhetos. Tanto que não é difícil encontrar xilógrafos nossos, como Abraão Batista, nos títulos de muitos autores novos e velhos por cá. Chegando a Recife, a coisa não é diferente. Por onde se vai, num recanto qualquer, há artesanato, boas coisas da terra, e também se acha literatura popular em verso. Especialmente o que se produz em Bezerros, Caruaru e Recife, mas também em outras localidades. Num destes pontos identifico um novo autor até então não relacionado, Edivaldo de Lima, de Goiana. Das dezenas de títulos, pelo menos quatro folhetos seus são conhecidos: Seu Lunga, As novas de Seu Lunga (em dois volumes), e Ser Lunga é ser diferente. De Ismael Girão da Costa o “Seu Lunga – Tolerância Zero”. Se Isabel Maia, o “Seu Lunga adolescente”. Mas, não fica só por aí. Da Bahia vejo que Franklin Machado “Nordestino” lançou dois títulos: “Desencontros de Seo Lunga com o crioulo doido da Bahia” e “Prosopopéias de Seo Lunga nos rios e selva amazônica”. Eu conheço uma meia dúzia de pequenas e pitorescas historias de Lunga. Não me canso de repeti-las, mesmo porque isto me serve para tentar mostrar o lado mais espirituoso de Lunga, coisa bem diferente daquelas histórias grosseiras que habitualmente estão figurando nos folhetos a ele dedicados. Por isto mesmo é compreensível, não só esta fama que percorre todo o pais, como a sua intolerância naquilo que rompe a sua privacidade e até denigre sua pessoa, atribuindo-lhe um tipo muito mais grosseiro e mal-educado do que ele eventualmente seja, numa ou noutra circunstância. Quando às vezes tenho que me identificar com a naturalidade que consta da minha origem, frequentemente escuto, ao invés de se mencionar apenas o famoso “terra do padre Cícero”, a este se junta com maior identidade, o “terra de Seu Lunga”. E haja conversa...

Um comentário:

IDERVAL TENÓRIO disse...

Casimiro meu amigo, o grande Juaquim Rodriuges dos Santos o popular "SEU LUNGA" meu primo e casado com outra minha prima, é patrimônio do Juazeiro, o seu nome leva o nome da cidade para o país inteiro, o que me preocupa é o tom de chacota, como também o que deixa o mestre Lunga chateado. Quando se conversa com o mesmo existe coerencia em tudo que o mesmo fala, quando se debate qualquer assunto regional ,nacional ou internacional tem o mestre Lunga a sua opinião e bem fundamentada. Lunga é uma pessoa criativa,inteligente,educada,de bom humor,bem informada e que tem consciencia do mundo que se vive . Agora vamos utilizar este lado interessante que o mesmo se destacou.Que alguém que conheça faça a verdadeira trajetória deste baluarte do Juazeiro.Quem não conhece SEU LUNGA ? Um abraço do amigo Iderval Tenório