quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Defensores e trabalhadores do processo de Reabilitação, beatificação, e futura canonização do Padre Cicero

 Defensores e trabalhadores do processo de Reabilitação, beatificação, e futura canonização do Padre Cicero 


Monsenhor Murilo de Sá Barreto.

Monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto nasceu em Barbalha, Ceará, no dia 31 de outubro de 1930(2020 – 90 anos). Aos 14 anos ingressou no Seminário São José, do Crato, Ceará. Depois foi transferido para o Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde de 1952 a 1953 fez o Curso de Filosofia e de 1954 a 1957, o curso de Teologia. Recebeu as ordens menores com Ostiário e Leitorato em 12 de junho de 1955, oficiadas pelo bispo de Fortaleza, D. Antônio de Almeida Lustosa, na Igreja da Prainha; o Exorcistato e o Acolitato, em 8 de dezembro de 1955, oficiados por D. Francisco na Catedral Nossa Senhora da Penha em Crato; no ano seguinte inicia aobtenção de ordens maiores. O Subdiaconato lhe foi atribuído por D. Lustosa, na Igreja da Prainha, no dia 2 de dezembro de 1956; o Diaconato, em 6 de abril de 1957; e o Presbiterato, com sua Ordenação, em 15 de dezembro de 1957, em cerimônia oficiada por D. Francisco, bispo da Diocese do Crato.

Iniciou suas atividades religiosas na Matriz de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, em 6 de fevereiro de 1958, como Vigário Cooperador, auxiliando o Vigário, Monsenhor José Alves de Lima. No dia 28 de fevereiro de 1967 assumiu a função de Vigário da Matriz de Nossa Senhora das Dores, hoje Santuário Diocesano, permanecendo no cargo até morrer.

Em todas as localidades aonde chegava era disputado pela multidão como uma celebridade. Todos queriam abraçá-lo, apertar-lhe a mão, bater foto ao seu lado e convidá-lo para uma visita doméstica. Sua presença superlotava qualquer igreja e fazia o êxito de qualquer evento religioso. Não há nenhuma dúvida: os romeiros o estimavam muito. E a recíproca sempre foi verdadeira, porquanto foi crescendo à medida que ele soube – tal qual o Padre Cícero – penetrar no âmago do coração do romeiro e entender-lhe as agruras e as alegrias.

Monsenhor Murilo terminou por perceber que os sentimentos dos romeiros são verdadeiramente puros, espontâneos, gestuais, impregnados de autêntica religiosidade popular. Ele compreendeu, como resultado de experiência vivida, que a manifestação religiosa dos romeiros não tem nada de fanatismo exacerbado, como se apregoou no passado. 

Ao lado do romeiro, fugindo da erudição inata que dominava tão bem, e usando a linguagem peculiar às massas, no que se saía igualmente bem, ele fortalecia a esperança de que Padre Cícero a despeito de tudo triunfava dentro da sua Igreja. Por isso, tornou-se um grande estudioso e defensor do Padre Cícero, sobre quem escreveu um livro e promoveu, a partir de 2003, um Tríduo de Estudos, o qual reunia em Juazeiro do Norte estudiosos para aprofundamento de pesquisas sobre o Padre Cícero. Também foi um dos maiores incentivadores dos simpósios internacionais sobre o Padre Cícero realizados pela Universidade Regional do Cariri.

Ele era extraordinariamente habilidoso na maneira de como pregar a palavra de Deus. Suas homilias eram bastante apreciadas indistintamente pelos seus paroquianos e os romeiros. Todos sentem saudades dos seus bonitos sermões.

Monsenhor Murilo era Licenciado em Filosofia e Ciências pela Universidade Católica de Salvador, Bahia, e foi professor da Escola Normal de Juazeiro, hoje Centro Educacional Professor Moreira de Sousa. Em reconhecimento aos seus relevantes serviços prestados, a escola o homenageou batizando com seu nome o Centro de Multimeios.

Exerceu atividade literária escrevendo artigos para jornais e revistas e publicou os seguintes livros: Experiência de vida, De Juazeiro do Norte à Terra Santa, Testemunho, Serviço e Fidelidade, para os diáconos e Padre Cícero. Foi um dos grandes baluartes em prol da reabilitação do Padre Cícero, cujo processo continua em curso no Vaticano.
Através de programa Dimensões do cotidiano, apresentado por mais de 30 anos na Rádio Progresso, sua palavra evangelizadora ultrapassou os limites de Juazeiro do Norte e se espalhou por toda a Região.
Sua presença abrilhantava qualquer solenidade e não raras vezes terminava sendo a grande estrela toda vez que pronunciava o discurso oficial, que era sempre uma aula de oratória e sabedoria.

Seu trabalho assistencial se estendeu ao Horto e à Vila Padre Cícero, onde sua Paróquia marcava presença com obras sociais, especialmente direcionadas às crianças.

Foram iniciativas suas a editoração do Livrinho de Cantos da Romaria, do Livrinho da Saúde, a celebração da Missa da Despedida dos Romeiros na qual se presencia o bonito espetáculo com o levantar dos chapéus realizados pelos romeiros, a Procissão dos ônibus e caminhões de romeiros e o inesquecível “Viva Nossa Senhora das Dores” com que costumava terminar suas pregações.

Com a morte de Monsenhor Murilo, Juazeiro do Norte fica órfã e perde seu maior líder espiritual depois de Padre Cícero. Monsenhor Murilo partiu para O Reino dos Céus em 05 de Dezembro de 2005.

Irmã Annette Dumoulin.

Anne Dumoulin, conhecida popularmente como Irmã Annette, nasceu no dia 14 de julho de 1935 na cidade de Liége, na Bélgica. Com cinco anos de idade teve que migrar juntamente com sua família para França, em consequência dos bombardeios provenientes da II Guerra Mundial. A religiosa ainda hoje conserva na lembrança os momentos de tensão e medo sofrido com esta experiência migratória. Retorna ao seu país sensibilizada com a lição que aprendera com o pai: “A felicidade consiste em ajudar os outros”, lembra ela, ao destacar que esse ensinamento transformou a sua vida.

Em 1955, a jovem Annette forma-se em Educação Física na Bélgica e em 1958, gradua-se em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Louvain e, posteriormente, em Psicologia da Religião, obtendo os títulos de mestre e doutora em Ciência da Educação, com especialidade em Psicologia da Religião pela Universidade Católica de Louvain, entre 1964 e 1970.
Durante sua vida acadêmica, Irmã Annette ocupou o cargo de assistente no Centro de Psicologia da Religião da Universidade de Louvain (UCL) nos idos de 1964 – 1970 e, na mesma universidade, tornou-se professora de Ciências da Educação e Psicologia da Religião das Faculdades de Teologia e Ciências da Educação no período de 1970-1975. No ano de 1960, sagrou-se na Congregação de Nossa Senhora (ordem das Cônegas de Santo Agostinho).

Juntamente com a irmã Ana Teresa Guimarães chega ao Brasil para estudar e pesquisar as Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), ambas decidindo morar na periferia de Recife, entre 1972 e 1973, sob os cuidados de Dom Hélder Câmara.

Contato com a terra do Pe. Cícero
No contato com as pessoas ao chegar no Brasil, ouviram falar do Padre Cícero e vieram a Juazeiro do Norte, onde tiveram momento de forte encantamento no tocante às romarias, passando a admirar o sacerdote e toda a sua obra. Foram mais de 40 anos empreendendo pesquisas, juntamente com a irmã Ana Teresa, e ações socioreligiosas acerca do Padre Cícero, das romarias e dos romeiros. Em 1976, a irmã Annette pede sua exoneração da Universidade de Louvain e se instala definitivamente em Juazeiro do Norte, onde recebe acolhimento dos então padres Murilo de Sá Barreto e José Alves de Oliveira, onde abraçaram a defesa ao Padre Cícero e o acolhimento aos romeiros do Nordeste. Foi criado o Centro de Acolhida dos Romeiros na Paróquia de Nossa Senhora das Dores.

A religiosa tem somadas importantes contribuições nas áreas da cultura, social, educacional, além de colaborar com estudos relacionados ao Padre Cícero e valorização da cultura romeira. São 40 anos de trabalho na Igreja de Nossa Senhora das Dores, sobretudo nas celebrações destinadas ao povo romeiro. No Círculo Operário São José, realiza um encontro com peregrinos desde 1976, denominado reunião das 15 horas.

No Centro de Psicologia da Religião (CPR), desenvolve um trabalho de coleta, catalogação e organização de um acervo documental que serviu e serve aos pesquisadores do Brasil e de outros países, culminando com a construção de dezenas de monografias, dissertações e teses de doutorado. Para a Universidade, conceder o Título de Doutor Honoris Causa a Irmã Annette Dumoulin representa mais que uma justa homenagem, mas uma atitude de valorização por parte da instituição, pela sua vasta contribuição social, religiosa e científica para o Cariri e, especificamente, Juazeiro do Norte.

Irmã Annette Dumoulin nos deixou em 21 de Maio de 2021.

Professor Daniel Walker.

Daniel nasceu em Juazeiro do Norte. Era jornalista, radialista e exerceu o magistério como professor adjunto da Fundação Universidade Regional do Cariri (Urca). Além de pesquisador, fundou em 2008 um site que reúne fotos históricas e relembra personagens importantes do município. Como radialista, iniciou suas atividades apresentando o noticiário do Serviço de Auto divulgação Salesiana, que funcionava no Colégio Salesianos. Profissionalmente, começou no Serviço de Alto-falantes Cicerópolis, como locutor e redator de notícias. Depois, foi colaborador e repórter de diversos veículos locais.

Sua carreira de professor começou em 1971, ensinando Ciências no Colégio Estadual de Juazeiro do Norte, que no ano seguinte se tornou o Centro Educacional Professor Moreira de Sousa.

Em 1982, ingressou no quatro de professores da Faculdade de Filosofia do Crato, atual Universidade Regional do Cariri, lotado no curso de Biologia, onde se aposentou em 2001.

Tem mais de 50 publicações, entre biografias, livro infantis, e muitos voltados à história de Juazeiro do Norte e de padre Cícero.

Em 2017, lançou seu último livro. Com 300 páginas, "A Praça Padre Cícero" traz depoimentos e fatos marcantes sobre um dos importantes cartões postais da cidade.

Daniel Walker nos deixou em 11 de Julho de 2019.

Irmã Therezinha Stella Guimarães (Irmã Teresinha) e Maria Assunção Gonçalves (Dona Assunção).

Therezinha Stella Guimarães
Ela foi uma ardorosa defensora da reabilitação do Padre Cícero. E deu provas disso. Segundo escreveu o jornalista Demontier Tenório "Apesar de se encontrar doente e em uma cadeira de rodas, topou o desafio de ir até a Europa na comitiva liderada pelo bispo dom Fernando Panico para entregar o pedido de reabilitação de Padre Cícero ao Vaticano.
Os documentos foram deixados na Congregação para a Doutrina da Fé no dia 30 de maio de 2006. Durante missa na Praça de São Pedro, ela teve contato com o Papa Bento XVI quando este se dirigiu para cumprimentar um grupo de cadeirantes. Irmã Ana Teresa não perdeu a oportunidade de pedir por Padre Cícero".
Relato contado pela Irmã Annette Dumoulin em vida:
Quem melhor pode contar a história de Irmã Therezinha é sua colega Irmã Annette. Por isso é dela o texto que se segue:
"A trajetória de Irmã Therezinha é tão bonita, que eu não resisto a contar ao leitor alguns pormenores determinantes! Nascida em Guaratinguetá, Therezinha Stella Guimarães (ir. Ana Teresa) é parente do primeiro Santo Brasileiro, Frei António de SantAna Galvão. Ela viveu seus primeiros anos à sombra da Matriz Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Entrou na Congregação de Nossa Senhora, da ordem das Cônegas de Santo Agostinho, após seus estudos em Pedagogia na Faculdade Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Aos 39 anos, e com a experiência de alguns anos como diretora no Colégio Stella Maris, em Santos, ela se lançou na descoberta de um "outro Brasil": o Nordeste! Mas antes, fez dois anos de reciclagem em teologia e psicologia, na Bélgica. Na mesma época, a Universidade de Louvain me ofereceu um tempo de pesquisa no Brasil, na minha especialização em Psicologia da religião. Juntamos então nossos dois projetos e nos lançamos à descoberta do povo nordestino em Recife, no tempo da ditadura militar, sob o olhar profético de Dom Hélder Câmara.

Durante doze meses, estudamos na escola dos pobres, nas CEBs, chamadas em Recife, "encontro de irmãos". Queríamos descobrir como nasciam as lideranças religiosas nessa área dinâmica da cultura popular, perseguida pelo regime militar da época. Alugamos uma casinha em Beberibe, na "Linha do Tiro" bairro pobre da Capital de Pernambuco, para nos aproximar o mais possível da realidade desse povo. Foi um ano muito proveitoso onde tivemos a chance de mergulhar no mundo das Comunidades Eclesiais de base.
Mas os planos de Deus eram diferentes para nós: Maninha, uma vizinha, tinha pendurado na sua sala, um grande póster de um homem, de batina, um padre... "Mas, quem é ele?" perguntava eu no meu português rudimentar da época. Maninha tentava explicar com gestos, palavras e emoções porque tinha tanta devoção nesse Padre... Ana Teresa se lembrava que se tratava do Padre Cícero, líder polêmico de um movimento religioso duvidoso do Nordeste mas que estava em fase de extinção! Era isso que se sabia do Padre Cícero e de seus devotos no Sudeste do País, nos anos 60!

Fomos convidadas pelos pais de Maninha, para conhecer Juazeiro. Mais do que curiosas, aceitamos sem hesitação. Passamos 10 dias na "terra da Mãe das Dores e do Padre Cícero", na casa de Seu Mocinho e Dona Tita, Rua Padre Cícero. Selvina, lavadeira da família, tinha se liberado de qualquer trabalho e compromisso para nos servir de cicerone. E que cicerone! Tinha passado algum tempo no Caldeirão, com o Beato José Lourenço. Era dessas mulheres sábias, descendente de índios, convicta de sua fé, e que nos oferecia, gota a gota, com prudência, o tesouro de seus conhecimentos em relação ao "mistério" do Juazeiro e do Padre Cícero.

Ficamos "encantadas" a ponto de tomar a decisão de continuar nossas pesquisas não mais em Recife, mas nessa "mina a céu aberto" que é Juazeiro do Norte. A oposição silenciosa mas determinada da Diocese de Crato, em relação às romarias a e ao Padre Cícero, nos questionava. Observamos ao mesmo tempo o isolamento e a coragem pastoral do Padre Murilo de Sá Barreto e de seu auxiliar, Padre José Alves, acolhendo com carinho e sabedoria os milhares de romeiros, ditos fanáticos, que acorriam na Matriz das Dores e na Capela do Socorro.

Mais do que pesquisadoras, somos cristãs e religiosas consagradas na linha da opção preferencial pelos pobres. Essa situação não podia nos deixar indiferentes! E foi assim que, depois de semanas de reflexão e hesitações, numa noite de São João, na Serra do Catolé, a decisão foi tomada. Pegamos no chão uma cabaça ainda verde e gravamos nosso compromisso: "De todo jeito, voltaremos para o Juazeiro. Ana Teresa e Annette - 24 de junho de 1974". Foi nessa noite que Therezinha Stella Guimarães decidiu enfrentar anos de pesquisa para chegar, em 1983, a defender sua tese de doutorado, objeto desta publicação.

Por que um tal esforço? Porque os pobres merecem que a gente se forme para servi-los! Com o apoio de Padre Murilo, planejamos abrir na Matriz das Dores dois centros complementares: "Psicologia da religião", e "Acolhida aos romeiros", cada Centro se alimentando do outro, numa dinâmica muito produtiva.

A pesquisa feita por Ir. Ana Teresa em 1983, escrita em francês, e defendida em Louvain, Bélgica, demorou para ser publicada. Entretanto, ela não ficou apenas na prateleira empoeirada de uma biblioteca de Universidade. Ela nos serviu de alicerce para construir e realizar, durante mais de 30 anos, um projeto de Pastoral de Romaria na Matriz de Nossa Senhora das Dores, em colaboração com o nosso saudoso Pastor e Mestre, Padre Murilo. O estudo dos arquivos e da correspondência do Padre Cícero nos revelou também o verdadeiro rosto e a personalidade deste Sacerdote .

Ir. Ana Teresa hesitou em publicar sua tese na sua apresentação árida, analítica, sistemática, segundo as exigências da Universidade de Louvain. Alguns amigos, entre outros, Antônio Renato Casimiro e Daniel Walker, a convenceram a não diluir ou simplificar a apresentação, pois o método semiprojetivo utilizado era, até agora, único no seu género no campo de pesquisa sobre os romeiros do Padre Cícero. Valia a pena uma apresentação sistemática das etapas estatísticas, mesmo fastidiosas, do caminho escolhido pela pesquisadora. Comunguei com essa opinião.

Quem sabe se, na leitura deste trabalho, um universitário não se entusiasmaria para reproduzir a pesquisa, com o mesmo método e rigor, hoje, 30 anos depois! Os estudos longitudinais são raros nesse domínio, mas ajudariam muito a verificar em que medida o papel do Padre Cícero junto ao Nordestino, está se modificando".
Irmã Ana Teresa faleceu em 18 de Maio de 2013.
Maria Assunção Gonçalves
Maria Assunção Gonçalves - Nasceu em Juazeiro do Norte, no dia 1º de junho de 1916. É filha de Francisco Gonçalves de Menezes e Isabel Telles de Menezes. São seus irmãos: Pedro, Joaquim, João, José e Maria Gonçalves, todos falecidos.
Em 1923, Assunção Gonçalves fez seus primeiros estudos com a Profa. Argentina e aprendeu Tabuada com Pedro Vicente, um motorista muito conhecido que residia em sua (dela) casa, na época, localizada no Sítio Logradouro.

Em 1924, estudou com Dona Adelaide de Sousa Melo, e até 1928, no Externato Santa Terezinha, cujas mestras eram Stela Pita e Maria Gonçalves da Rocha Leal.
Em 1929, fez o 4º Ano Primário no Grupo Escolar Padre Cícero, com a Profa. Amália Xavier de Oliveira e o famoso Exame de Admissão no ano de 1930, no Colégio Santa Terezinha do Crato.

Concluiu o Curso Normal na Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte. Como professora - são palavras dela - recebi influência dos Professores que muito marcaram minha vida: Mozart Cardoso de Alencar (que lecionava Botânica) e Vicente Xavier de Oliveira (que lecionava Matemática).
Em 1954, substituiu a Profa. Amália Xavier de Oliveira na Direção da Escola Normal Rural, quando a mesma afastou-se por motivo de viagem.

Em 1970, assumiu a Direção do Ginásio Municipal Antônio Xavier de Oliveira, tendo sido fundadora e primeira diretora daquele conceituado estabelecimento de ensino.
Assunção Gonçalves é artista plástica, com estilo e temática, contudo, ê autodidata na arte de pintar. No início desta atividade, recebeu aulas de sua prima, a Professora Amália Xavier de Oliveira, com aquarela, depois passou a pintai a óleo sobre tela.
Foi professora de Pintura no Ginásio Santa Teresinha de Desenho no Ginásio Salesiano São João Bosco.

As telas mais expressivas da artista plástica Assunção Gonçalves são: "Juazeiro Primitivo - 1827", "Padre Cícero", "O Pacto dos Coroneis” e “As Ceias Largas".
Em sua homenagem foram escritos os livros: "Assunção Gonçalves, uma Grande Educadora" de autoria de Maria do Socorro Lucena Lima e "Assunção Gonçalves, uma Vida Dedicada à Arte" de autoria de Íris Tavares. Foi também homenageada com o "Troféu Sesquicentenário do Padre Cicero" e uma creche e foi nomeada pelo governo do estado como Mestre da Cultura.

Outra homenagem lhe foi prestada pela Telemar que estampou uma das suas telas num cartão telefônico muito divulgado pelo Brasil. Assunção Gonçalves é uma das reservas morais da cidade de Juazeiro do Norte, é um exemplo de honradez, uma pessoa admirada, querida e respeitada por toda a comunidade juazeirense. Noutros termos: Assunção Gonçalves é um símbolo.
(Texto de Raimundo Araújo, extraído do seu livro Mulheres de Juazeiro).

Assunção conviveu com o Padre Cícero em sua fase de adolescente e dele guardou muitas recordações, algumas das quais chegou a publicar como colunista do nosso jornal eletrônico Juaonline. Era pessoa muito dedicada à Igreja, amiga dos antigos vigários de Juazeiro, especialmente do Padre Murilo que a chamava carinhosamente de “Nega”.

A ela Padre Murilo confiava muitos serviços da igreja, principalmente a organização da festa do Mês de Maio, pois ela era uma das mais atuantes integrantes da irmandade das Filhas de Maria. Toda terça-feira Padre Murilo almoçava na casa de Assunção, local também de encontro de intelectuais da terra e de fora, todos amigos do Padre Murilo que fazia questão de apresentá-los à grande amiga, como foi o caso do conhecido historiador norte-americano Ralph Della Cava, autor de uma grande obra de referência sobre o Padre Cícero.

Assunção será lembrada por conta da sua extensa biografia na qual figura como educadora, artista plástica, mestre na arte de confeitos de bolo, ornamentação de noivas (em sua casa ainda tem muitos vestidos de noivas). Era insuperável na arte de receber amigos em sua casa, onde todos que a visitavam eram recepcionados com mesa farta de guloseimas, principalmente bolos e sequilhos além de um café muito gostoso. Infelizmente, quando ficou prostrada numa cadeira, sem ânimo e disposição para conversa, sua casa, antes tão cheia de amigos (amigos?) as visitas foram rareando, restringindo-se aos poucos parentes ainda vivos e pessoas queridas, jovens que ela adotou em sua casa... Como editor do Portal de Juazeiro e durante a fase em que ela estava com a memória ativa, tive o prazer de entrevistá-la muitas vezes, oportunidade em que colhi um bom acervo de informações históricas sobre o Padre Cícero que ela conheceu e da vida do Juazeiro Antigo que ela viu de perto.
Dona Assunção Gonçalves faleceu em 20 de Maio de 2013.
Texto: Daniel Walker in Portal de Juazeiro.









Fonte Juazeiro em fotos - 
Textos: Blog Barbalha Esquecida. / Raimundo Araújo/ Daniel Walker
CRB Nacional.
G1. 

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