terça-feira, 15 de julho de 2014

Coração para Foguinho - Daniel Walker

O coração parou de bater e assim faleceu na madrugada desta terça-feira, aos 69 anos, em Juazeiro, Francisco de Assis Silva, um dos mais conhecidos narradores esportivos do Brasil, carinhosamente conhecido como Foguinho. 
A vida de Francisco Silva foi um exemplo marcante de superação das adversidades, especialmente na infância, que foi realmente difícil. Afinal, não é nada alentador nascer pobre, com peso abaixo da média e numa Região onde o índice de mortalidade infantil (40%) era o mais alto do País. Por isso  foi preciso da parte dele muita determinação para superar as adversidades impostas pelo destino, adquirir forças extremas e ter muita persistência, pois do contrário, jamais chegaria aonde chegou: um ícone da radiofonia esportiva com mais de cinquenta anos dedicados ao esporte. 
Nesta longa trajetória  de vida ele teve o prazer de fazer amigos, consolidar amizades, desfrutar da confiança dos patrões, conhecer o Brasil e o Mundo no desempenho da função. Tive o privilégio de conviver com Francisco Silva na Rádio Iracema. Quando lá cheguei para atuar como redator e locutor apresentador do Grande Jornal Sonoro Iracema, ele já era narrador esportivo. Isso foi na metade da década de 1960, anos de ouro da radiofonia juazeirense, quando despontaram nomes que até hoje engrandecem o rádio local. 
Tivemos na Rádio Iracema uma convivência muito legal; mesmo depois, quando já estava afastado do microfone, gostava de conversar com ele visitando-o regularmente aos sábados na Rádio Vale AM,  para ouvir as passagens hilárias do futebol juazeirense que ele sabia e contava com desenvoltura, algumas das quais figurava como personagem principal. 
Ele foi, e isto é verdade absoluta (pois existe comprovação fidedigna),  o narrador esportivo juazeirense que alcançou a maior projeção no cenário esportivo mundial, sendo detentor do maior número de transmissões esportivas fora do Brasil, incluindo aí jogos disputados pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Até hoje em Juazeiro ninguém foi mais longe do que ele. E isso não é glória somente para ele, mas também para Juazeiro do Norte,  cidade que é um verdadeiro celeiro de celebridades esportivas.
Francisco Silva como locutor esportivo de eventos internacionais é nome de peso na radiofonia juazeirense e disso muito me orgulho, pois tive o privilégio de conviver com ele, quando juntos começávamos a nossa vida radiofônica na sempre lembrada Rádio Iracema de Juazeiro, A Pioneira, dirigida magistralmente pelo inesquecível Mestre Coelho Alves.  Sua morte me entristece, empobrece o rádio juazeirense deixando  uma lacuna impreenchível. 
O velório de Foguinho está sendo no Anjo da Guarda e o sepultamento será amanhã.

Troféu Foguinho
Por decisão do prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macedo, um troféu com o nome do radialista Francisco de Assis Silva, o Foguinho, será entregue ao vencedor do clássico Icasa e Guarani deste domingo no estádio Romeirão. O jogo será de portões abertos e faz parte da programação festiva pelos 103 anos de emancipação política da terra de Padre Cícero.

4 comentários:

José de Arimatéa dos Santos disse...

Lembro-me desde tenra idade a escutar esse grande cronista esportivo do rádio brasileiro. Coloco Foguinho no mesmo nível de um Waldir Amaral, Jorge Cury, José Carlos Araújo, Gomes Farias e tantos outros narradores de ontem e de hoje.
Fica para sempre a rapidez ao narrar e o slogan que chamavam ele "O pequeno do grande IBOPE".
Meus sentimentos à família e amigos de Francisco Silva, Foguinho.

Geraldo Moreira disse...

Foguinho fez parte da minha vida esportiva nos idos dos anos sessenta. Narrador de mãcheia, transmitindo o que via nas quatro linhas, dava-nos a ideia precisa do que acontecia, através do rádio. Que Deus e o Padre Cícero iluminem o seu caminho.

Carlos Julian disse...

Apesar de não o conhecer pessoalmente, desde de pequeno aprendi a gostar de futebol escutando suas narrações e comentários. O maestro da voz esportiva "Foguinho" segue o seu trajeto e deixa um legado de exemplos para todos nós. Segue em paz Francisco Silva! Muita paz!

José Cícero disse...

Um pequeno artigo de opinião(em www.aurora.ce.gov.br) que fiz anos atrás em homenagem a Foguinho (Foto acima) quando o mesmo após um série de problemas de saúde e de outras ordens, com a ajuda de alguns amigos como o Normado Soráscles, ele resolvera voltar ao batente das transmissões esportivas através da rádio Iracema AM. Já com relação ao radialista Bosco Alves - o cajuína, que faleceu no dia de hoje - também sinto imensas saudades vez que ainda menino tive o prazer de fazer a campanha do PMDB em Missão Velha em 88 quando o Valdízio Silva foi candidato à prefeitura, época em que conheci Mauro Benevides, Iranildo Pereira, Eudoro Santana, Dorian Sampaio, Thomaz coelho, Esmerindo Arruda e tantos outros do MDB histórico oriundos da luta contra a ditadura e de lá despertei para ingressar na luta democrática nas fileira do PC do B. Então, fizemos a campanha de marketing - vinhetas em fita k-7, locução nos carros de som no gogó, composições das músicas da campanhas, painéis, palavras de ordem, frase de efeito,cartazes tipografados, entrevistas, panfletos, cartilhas com propostas etc, coisas muito avançadas para a época...Andamos o interior rural de M. Velha por inteiro em memoráveis comícios e reuniões sob a manivelas dos motores-geradores de enegia que carregávamos na própria kombi. um grande aprendizado para mim! Saudades do Bosco Alves - que Deus coloque ambos num bom lugar! Eles merecem!!! Saudades eternas...
Prof.José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.