segunda-feira, 3 de setembro de 2012

É tempo de romaria!


Nossa colaboradora Pautília Ferraz nos envia  fotos da Carreata de Nossa Senhora das Dores  que aconteceu ontem, dia 02 de setembro, como início da Festa da Padroeira. Escreveu Pautília: “Percorrendo várias ruas, sendo ovacionada na Paróquia do Parque Antônio Vieira, seguindo saudando  o povo de Juazeiro. Que a nossa romaria em 2012 seja abençoada e que venham muitos devotos da Mãe das Dores e do Padre Cícero, para alimentar-se e nos alimentar em fé. Porque com eles aprendemos muito sobre o essencial que é vivenciar uma fé pura, com humildade e amor. Aqui infelizmente eles ainda enfrentam muitas dificuldades de acolhimento, mas não esmorecem. Chegam nos embalando com seus cantos ... "No caminho de Juazeiro , nunca ninguém se perdeu..."


Demontier Tenório nos manda a seguinte matéria:
A Festa de Nossa Senhora das Dores, Padroeira de Juazeiro do Norte, começou neste domingo com liturgias, hasteamento das bandeiras e uma carreata pelas ruas da cidade numa espécie de chamamento para os festejos. Todavia, a chegada em número maior dos romeiros só deve ocorrer a partir do feriadão de 7 de setembro. Para tanto, a Secretaria de Turismo e Romarias adota todas as providências com vistas à montagem do esquema de acolhimento aos fiéis que virão ao município. Quando comandou a reunião da Operação Romeiro, o titular da pasta, José Carlos dos Santos, estimou uma visitação em torno de 400 mil peregrinos de vários lugares do Nordeste. Ele disse estar informado que pousadas, ranchos e hotéis, principalmente da área central de Juazeiro já estão com reservas esgotadas, Esta semana, a SETUR vai intensificar contatos com as demais secretarias do município para o fechamento de questões essenciais como limpeza, saúde, segurança e organização do trânsito. A Secretaria de Turismo vai executar um plano de ordenamento e organização dos espaços públicos a fim de evitar invasões dos vendedores ambulantes e comerciantes. É que os caminhos dos romeiros, segundo Zé Carlos, já estão suprimidos com as obras do Roteiro da Fé tornando ainda mais necessário esse disciplinamento. Com isso a meta é manter a política de desocupação da ruas e calçadas, mas oferecendo alternativas sem que esses sejam prejudicados.

Amor que vence todas as barreiras! - Dr. Paulo Leonardo Celestino
Seca, fome, abandono dos governos e domínio dos coronéis. Era este o cenário no final do século XIX para o povo sertanejo. Não havia estradas, nem comunicação e muito menos água. Estado de abandono total.
Mas uma notícia conseguia chegar até os rincões do sertão: um milagre acontecera num pequeno vilarejo no Sul do Ceará. A hóstia se transformara em sangue na boca de uma beata quando ministrada por um padre conselheiro. A esperança renascia! Alguém poderia dar um rumo à vida deste povo sofrido. “Vamos ao Juazeiro do Padre Cícero!” E assim começaram as primeiras romarias.
Sem nenhuma perspectiva em sua terra natal, o romeiro veio e aqui ficou. Juazeiro logo cresceu muito rápido. Os poderosos da época começavam a se incomodar. Seria Juazeiro uma nova Canudos? O caráter sereno e conciliador do Padre Cícero desmentia todas as acusações, mas o preconceito continuou.
Padre Cícero foi forçado a calar sobre o chamado “Milagre de Juazeiro”. Obedeceu sem contestar. As romarias também foram criticadas e desaconselhadas, mas já neste quesito, o amor do romeiro pelos ensinamentos de seu mentor e pela Virgem Mãe das Dores falou mais alto. E um amor verdadeiro rompe qualquer barreira!
O tempo passou, mas eles continuaram a vir. Em grande número, e mais, e mais. Atenderam ao pedido do Padre Cícero: “Moradores e romeiros, após minha morte não se retirem daqui, nem abandonem esta terra!” A romaria se transformou num grande fenômeno. A persistência do amor conseguiu modificar conceitos. O que antes era fanatismo, hoje simboliza a força de fé de uma grande nação. Como o nobre padre afirmou, “a romaria de Juazeiro foi um chamado da Mãe de Deus. Aqui tem sido um refúgio dos náufragos da vida”.
A capacidade agregadora do Padre Cícero aumenta mesmo após tantos anos de sua morte. E faz com que os romeiros não precisem de pacotes turísticos e nem de campanhas publicitárias. Também não fazem questão de ônibus luxuosos. Fazem questão, isto sim, de estar na terra de seu padrinho, tanto para pedir quanto para agradecer bênçãos alcançadas. Cada um com seu rosário na mão e com a Oração de Nossa Senhora das Dores na ponta da língua; tudo ensinamento dele!
E é com amor pelo Juazeiro de seu padrinho que eles cantam, percorrem todos os locais considerados sagrados, como a Basílica e a Capela do Socorro com seu túmulo no altar, e choram emocionados na missa de despedida.
Obrigado irmãos romeiros por tanto carinho. Sem vocês não seríamos juazeirenses por completo! Afinal, estamos todos unidos pelo mesmo amor cultivado pelo nosso padrinho. Viva a Mãe das Dores! Viva os romeiros do Padre Cícero de Juazeiro!

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