sábado, 11 de maio de 2024

Solenidade da Ascenção do Senhor Jesus- texto Dom Samuel

 

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR JESUS

Texto bíblico: Mc 16, 15 – 20


É sem nenhuma dúvida algo extraordinário e admirável que o unigênito filho do eterno Pai feito homem tenha subido ao céu! Há, todavia, se bem pensarmos, algo ainda maior que esta ascensão que a sua igreja neste sagrado domingo tão jubilosamente celebra. E que algo é esse, inda mais admirável que a subida, senão a sua descida para junto de nós? Não é tanto ter Cristo Deus subido aos céus que devemos admirar, mas de ter ele descido ao mundo para nos salvar e elevar!

Se o mistério da subida é sobremodo admirável, muito mais o é o que se encerra nesta palavra: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Há ainda uma outra coisa que não podemos deixar de admirar, e eu diria que tão admirável quanto a descida do filho eterno do Pai para junto de nós. E que outra coisa pode ser essa? Ei-la: a possibilidade que nos é concedida pela divina misericórdia de poder subir para junto daquele que por causa de nós homens e para nossa eterna salvação dignou-se descer até nossa baixeza.

Para que desceu do céu o filho de Deus? para que o homem que se perdera e extraviara seduzido pela perfídia diabólica do infernal inimigo pudesse subir para quem o criara para glorioso destino.

Cristo senhor nosso enquanto Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, igual ao Pai não podia propriamente subir ao céu, onde sempre esteve e donde nunca se afastou, conforme ele disse uma vez: “E se vísseis o filho do homem subir para onde estava antes?” Quem de fato subiu foi a natureza humana que ele assumira no seio da virgem Maria quando o “verbo se fez carne e habitou entre nós.”

Lástima grande e para se deplorar com não menos que lágrimas é que muitos não queiram  nem desejem subir para onde unicamente importa subir – para o céu – e tudo façam, inclusive o ilícito e o errado, para subir para lugares donde um dia, queiram ou não, terão de descer quando soar para eles a hora de deixar este mundo e esta vida. O tempo que alguém consegue manter-se no alto de uma montanha, a cujo cume chegou à custa de tão esgotantes esforços não pode ser muito longo, já que a vida é breve.

Quantos há que querem subir os escorregadios degraus que conduzem a fama, ao poder e ao dinheiro, esquecidos porém, de que por mais que um homem suba nesta vida virá dia em que a morte o fará descer de onde quer que esteja para sete palmos de terra fria! E quantos há que se empenham e lutam para subir para onde unicamente importa subir? Muitos infelizmente,  dispondo-se a fazer qualquer negócio contanto que cheguem onde querem, andam esquecidos de que a permanência em lugares e postos é necessariamente breve porque a morte está sempre perto dada a trágica brevidade da existência humana.

Subindo ao céu diante dos olhos dos seus íntimos, o nosso adorável Jesus nos mostrou para onde é que devemos desejar subir. O céu e mais nada além dele deve ser a nossa meta. É pensando nele e desejando-o com todas as veras de nosso coração que devemos caminhar neste mundo que passa.

Antigamente o sagrado salmista se perguntava: “Quem subirá até o monte do Senhor?” O homem não podia de modo algum subir até o Deus que habita numa luz inacessível. Separava-o dela a sua dupla condição de criatura e de pecador. Deus porém, por causa do grande amor com que nos amou quando estávamos mortos por causa dos pecados e delitos em que vivíamos metidos, dignou-se vir ao nosso encontro na pessoa do seu filho muito amado afim de que por meio dele pudéssemos subir até Deus, cuja morada está nos céus.

O caminho para a subida é Cristo. Se quisermos subir, se é nosso desejo chegar até Deus, sigamos a Cristo, imitemo-lo, amemo-lo, unamo-nos a ele por meio daquela fé que opera pela caridade. Ele, que desceu por nossa causa, subiu! Não queiramos nunca, cristãos, subir para lugares nos quais não poderemos permanecer para sempre e dos quais a morte um dia nos há de retirar. Seja o nosso maior e mais ardente desejo subir ao céu para o qual o senhor Jesus Cristo subiu e para onde insistentemente nos convida. Ajude-nos ele para que lá cheguemos.

 

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