terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Novo livro sobre o Caldeirão

A Universidade Patativa do Assaré, sediada em Juazeiro do Norte, e a Editora IMEPH, de Fortaleza, estão convidando para a solenidade de lançamento do livro José Lourenço, O beato perseguido, escrito pela professora Maia Loureto de Lima. A solenidade ocorrerá a partir das 19h do dia 5  próximo no Memorial Padre Cícero e faz parte da programação elaborada para comemorar os 13 anos de fundação da Universidade Patativa do Assaré. A programação completa é a seguinte:
- Apresentação do Projeto Ecosisco
- Apresentação do vídeo em comemoração aos 13 anos de realizações da Upa
- Lançamento do livro de Loureto
- Tributo ao poeta Patativa do Assaré 

O livro 
O CALDEIRÃO NA VISÃO DE UM PERSONAGEM
Daniel Walker
“A verdadeira história da humanidade é a história das elites” 
Esta frase tinturada do mais extremo e profundo preconceito foi inserida pelo tenente Góis no relatório que remeteu às autoridades polícias, através do qual o governo conseguiu os subsídios que precisava para ordenar o massacre da comunidade do Caldeirão do beato José Lourenço. Para consecução desse objetivo solerte e hoje execrado pela história, foi urdida uma trama muito bem planejada envolvendo a Polícia Militar do Ceará, a Igreja, o Governo e a Imprensa e na qual a missão de cada parte foi executada conforme o planejado. Assim, todos, de comum acordo desencadearam intensa campanha de difamação, insuflando o povo cearense contra uma comunidade de gente pacífica, ordeira e operosa, que vivia na prática do cooperativismo e espelhada no binômio “oração e trabalho”, preconizado pelo Padre Cícero e posto em prática pelo líder da comunidade, o beato José Lourenço. Por isso, por conta da campanha difamatória durante muito tempo os livros cuidaram de mostrar as versões distorcidas dos opressores e inimigos do Caldeirão, pois não havia interesse em contar a verdadeira história dos oprimidos e dos derrotados no covarde ataque à comunidade do Caldeirão, senão a farsa que motivou o ataque seria fatalmente descoberta. Este livro da professora juazeirense Maria Loureto de Lima relata a história das vítimas do Caldeirão. São relatos verdadeiros, insuspeitos, ditados por figuras reais, entre elas seu pai, Eleutério, dona Marina Gurgel e seu Moisés Alves, pessoas que viveram lá e sofreram na pele a fúria da polícia agressora. A obra tem uma grande novidade: pela primeira vez é feito um relato substancial do que se pode chamar de O Caldeirão II criado pelo beato José Lourenço no Sítio União, em Exu, PE, com os remanescentes do Caldeirão e seguindo os mesmos princípios da original. No vizinho estado de Pernambuco, onde o preconceito não existiu, os habitantes do Caldeirão tiveram outra forma de tratamento, como tão bem está relatado no livro. Loureto também mostra um perfil mais bem acabado do seu avô, Severino Tavares, o maior apologista do Caldeirão. Neste texto a dimensão dada a Severino é a de um homem temente a Deus, que teve uma transformação radical em sua vida graças aos conselhos prodigiosos do Padre Cícero, e não a do homem truculento e carrasco tão divulgada pela corrente dos algozes do beato José Lourenço e dos inimigos da comunidade do Caldeirão. Com este trabalho, ansiosamente esperado pelos estudiosos e curiosos pelo assunto, a autora cede espaço para que as vítimas da chacina do Caldeirão falem, expressem o seu clamor, mostrem o seu sofrimento, enfim, façam vir à tona a sua verdadeira história, escrita com o derramamento de sangue inocente e lágrimas de sofrimento. É o grito incontido dos aflitos contra a agressão policial injusta que culminou com a extinção da mais bem sucedida comunidade igualitária de que se tem notícia nos sertões do Brasil. Uma obra inspirada nos ensinamentos do Padre Cícero e cujo executor, o beato José Lourenço, a Igreja um dia terá de pedir perdão.

2 comentários:

IDERVAL REGINALDO TENÓRIO Tenorio disse...

Documentar com tanta precisão e seriedade é o maior legado a autora do livro, esta passagem é histórica, importante e versa sobre diversos assuntos, da religião ao fanatismo doentio, da politica local e nacional, das consequências dos sertões nordestino à praça de Roma a fustigar o Papa. É uma obra obrigatória, importante e que deveria ser mais divulgada. Eu agradeço a oportunidade de conhecer em detalhes o acontecido. Maria Lourêto de Lima, muito obrigado, os interessados agradecem .Iderval Reginaldo Tenório

Medeiros Braga disse...

Parabéns à escritora
Que marcando uma vitória,
Renegou da grande elite
Sua lição contraditória,
Para arrancar do tapete
Nossa verdadeira história.

De Canudos, Contestado,
Pau de Colher, Caldeirão,
Foi a sua história escrita
Com muita deturpação,
Ao agrado de uma classe
Que domina a região.

O seu livro que retrata
Um sentimento mais novo,
Merece todos aplausos
E por isso me comovo,
Pois, feliz do escritor
Que cantou a dor do povo.

Medeiros Braga
Em tempo: Fiz um cordel sobre Caldeirão com 168 estrofes que foi publicado pela Editora Luzeiro. Algumas estrofes estão no meu Facebook de hoje: Medeiros Braga Braga