sábado, 14 de dezembro de 2013

Houve também um Pacto dos coronéis em Barbalha, mas desse ninguém fala...

No dia 4 de outubro de 1911, os chefes políticos do Cariri se reuniram em Juazeiro para realização de uma Assembleia que foi chamada pelos organizadores de vários nomes, entre os quais Pacto de paz, Pacto de harmonia política, Aliança política, Conferência política, Pacto de Haya-mirim e Artigos de fé política. Mas é com o nome de Pacto dos coronéis  que ela figura nos livros de história de Juazeiro e do Padre Cícero. 
Nogueira Accioly
Na verdade, o termo Pacto dos coronéis é usado de forma pejorativa e tem a finalidade explícita de associar o nome do Padre Cícero (que presidiu a Assembleia) ao coronelismo, como forma de denegrir sua imagem, uma vez que coronelismo é um termo abominado por muita gente, pois está geralmente associado a fraudes eleitorais, voto de cabresto, corrupção, banditismo etc. 
Segundo o jornalista e escritor Edmar Morel o Pacto dos coronéis realizado em Juazeiro é  “uma página da história do banditismo no Nordeste, um pacto de honra assinado pelos maiores e mais respeitáveis coronéis que infelicitaram os sertões do Brasil, atirando homens contra homens e transmitindo o ódio e a sede de vingança de geração em geração. Uma página celebérrima do cangaceirismo no Brasil”.
Padre Cícero
Ao abrir os trabalhos da referido Assembleia Padre Cícero  declarou  que, “ traduzindo os sentimentos altamente patrióticos do egrégio chefe político, Excelentíssimo Senhor Doutor Antônio Pinto Nogueira Accioly, que sentia d´alma as discórdias existentes entre alguns chefes políticos desta zona, propunha que, para desaparecer por completo esta hostilidade pessoal, se estabelecesse definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido os adversários se reconciliassem, e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política”.
Porém os historiadores inimigos do Padre Cícero, no intuito de manchar sua biografia,  costumam dizer que ela teve a finalidade de solidificar o mandonismo dos coronéis na região do Cariri através de ajuda mútua e especialmente dar  sustentação política à famigerada e dinástica oligarquia do coronel Antônio Pinto Nogueira Accioly, então presidente do Ceará, e segundo esses historiadores, uma oligarquia que era responsável pelo  atraso em que se encontrava o Estado do Ceará. 
Franco Rabelo
Pois bem, no livro Milagre em Joaseiro, do insuspeito historiador americano Ralph Della Cava, há  referência a outra reunião de chefes políticos do Cariri, realizada em Barbalha, em 1912, um ano após a realizada em Juazeiro, conforme noticiou o jornal Folha do Povo (Fortaleza, 28.10.1912), cujo objetivo era dar apoio político ao coronel Franco Rabelo, também como Accioly, presidente do Estado do Ceará. A ela compareceram, segundo anotou Della Cava, representantes dos seguintes municípios: Barbalha, Crato, Juazeiro, Milagres, Missão Velha, Jardim, Brejo Santo, Santana do Cariri, Aurora, Araripe, Campos Sales, Porteiras, São Pedro (Caririaçu), Assaré, Saboeiro, Iguatu, Quixadá e São Mateus. Lavras não mandou representante. A notícia não diz, mas com certeza a essa assembleia Padre Cícero não foi. 
O esquisito é que dessa outra reunião ninguém fala, quase não existem livros falando sobre ela, e em momento algum passou à história com o nome de Pacto dos coronéis, embora a finalidade tenha sido praticamente a mesma da realizada em Juazeiro em 1911, ou seja, dar sustentação a um chefe político.
Infelizmente, para muitos escritores, teve o nome do Padre Cícero - não é coisa séria.
Por que será, hem?

Um comentário:

IDERVAL TENÓRIO-MÉDICO disse...

Amigos do Juazeiro, beatificar, santificar ou outras palavras a respeito do Padre Cícero perpassam por estas atas, mergulham neste mundo dos coronéis que são provas documentais do envolvimento politico do nosso fundador com os demais coronéis .A Sociedade atual e os ilustres juazeirenses que conhecem a história têm que descontruir estes episódios que mancham a boa índole, a boa vontade de ajudar e de trazer a paz ao sangrento Cariri de 1890 a 1950 . Floro Bartolomeu com todo o respeito e importância para o Juazeiro, também tem sido um empecilho, um entrave para no viés bondade o Padre Cícero ser reconhecido pela Igreja Católica. A Igreja só enxerga o lado politico e os encontro com os mandantes e executores das atrocidades da época. Os coronéis e os cangaceiros. Foi sangue, muito sangue e ´s isto que os canonizadores enxergam. Viva meu Padim e viva Juazeiro, é uma importante metrópole, só pode ser mais um milagre do seu fundador. Um abraço Iderval Tenório. Amigos João Silva morreu o autor do o hino Viva meu Padim cantado por Luiz Gonzaga,e nada foi feito para o mesmo. Juazeiro, olhe pelos que gosta de você.