terça-feira, 8 de maio de 2018

Juanorte encerra suas atividades

AOS JUANORTENSES
* Jota Alcides

É a mais bela das profissões, o  jornalismo. Nenhuma outra é mais fascinante, mais excitante, mais instigante,  mais impactante, mais empolgante e mais gratificante. Foi o que aprendi nesses meus 50 anos de jornalismo, desde 1967. Senti esse prazer múltiplo durante os últimos dez anos dirigindo o Juanorte, primeiro jornal fast-news do Nordeste, com o objetivo de defender, promover, fortalecer e engrandecer Juazeiro do Note, Metrópole do Cariri, no cenário nacional. Por dez anos, o Juanorte desempenhou e cumpriu, orgulhosamente, o seu papel de mais ardoroso, mais fervoroso e mais vigoroso defensor dos interesses, causas e aspirações do povo de Juazeiro, sempre acenando aos juazeirenses para a luta permanente em favor da cidade. Causou polêmicas e  debates com estas bandeiras:

CRIAÇÃO DA DIOCESE DO JUAZEIRO – Pedido feito pelo Padre Cícero ao papa Leão XIII, quando esteve no Vaticano em 1898, justificando e argumentando, com sua incrível capacidade de antecipar o futuro: “Juazeiro será o centro de civilização e fé do Nordeste brasileiro”. Hoje, 120 depois, Juazeiro é o maior centro do catolicismo popular da América Latina, recebendo cerca de 3 milhões de visitantes ao ano. O Vaticano devia reconhecer isso, criando a Diocese do Juazeiro, desmembrada da Diocese de Crato, como fez o papa Pio XII ao criar a Diocese de Aparecida, desmembrada da Diocese de Taubaté, interior de São Paulo, para atender ao maior centro de devoção mariana do Brasil. Criação da Diocese do Juazeiro é absolutamente necessária. Juazeiro não pode continuar  vinculado à Diocese de Crato, criada em 1914, por inIciativa e vingança do maior  inimigo e principal algoz do Padre Cicero, o segundo bispo do Ceará, Joaquim Vieira, com o objetivo de perseguir e explorar. financeiramente, Juazeiro. É só o que tem feito ao longo de mais de um século.

CRIAÇÃO DO ESTADO DO CARIRI – Desde que o Cariri deixou de pertencer ao Pernambuco, em 1799, e passou a fazer parte do Ceará, vive praticamente abandonado pelos sucessivos governos cearenses. É uma situação estranhamente paradoxal: o Cariri é a mais rica, natural e economicamente, região do Ceará, mas é tratado pelos governos cearenses como se não pertencesse ao Estado. Juazeiro do Norte é a maior e mais importante cidade do interior do Ceará, graças ao espírito progressista e empreendedor do seu povo que assim supre a falta de apoio dos governos do Ceará.  Mas, Juazeiro poderia ser muito mais potente se recebesse o tratamento diferenciado que os Governos de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Morte e Bahia, dedicam, respectivamente, às suas maiores cidades do interior: Caruaru, Petrolina, Campina Grande, Mossoró e Feira e Santana. Entretanto, o que os Governos do Ceará dedicam ao Cariri é indiferença, desprezo e abandono. É melhor o Cariri ser um Estado nascente, previdente, crescente e independente. dono do seu destino e do seu futuro, o que ser   um estado poente,  imprevidente, sobrevivente  e dependente, sem destino e sem futuro. O Cariri precisa sair desse estado de pequenez  para um Estado de Altivez. Solução é a criação do Estado  do Cariri. Por isso, o Juanorrte, durante seus dez anos de existência, foi um movimento permanente em defesa do Estado do Cariri.

REGIÃO METROPOLITANA DO JUAZEIRO  - Como estabeleceu a lei federal que criou as Regiões Metropolitanas no Brasil, em 1970,  cada região ganha a denominação da sua cidade polo, cidade principal, cidade metrópole. No caso do Carir, é Juazeiro do Norte; Pela Constituição Federal de 1988, os governos estaduais ganharam atribuição para criarem novas regiões metropolitanas, mas o Estado das Cidades, aprovado em 2001 pelo Congresso Nacional, adotou resolução para impedir que os governadores cometam abusos politiqueiros. Foi o que aconteceu no ato mesquinho e arbitrário do então governador Cid Gomes. Ele nunca aceitou ver Juazeiro como cidade maior e mais progressista do que Sobral, sua terra; Por isso, aproveitou para prejudicar Juazeiro denominando sua criação  de Região Metropolitana do Cariri. Cid Gomes também prejudicou Juazeiro imensamente ao travar, por seis anos, a liberação do Aeroporto Regional do Cariri, sediado no Juazeiro, para a Infraero poder fazer reformas necessárias e urgentes. É um caso patológico.

TRIÃNGULO JUABC – Em seus dez anos de existência, o Juanorte fez campanha sistemática pela adoção da denominação JUABC ao triângulo caririense  Juazeiro, Barbalha e Crato . Não se trata de bairrismo, mas  de objetividade, racionalidade e realidade. É o termo compatível com a atual realidade do Cariri, onde Juazeiro tem absoluta hegemonia em todos os sentidos e direções. É o acrônimo mais justo e adequado no lugar do antigo Crajubar, criado por Crato na década de 1960 para se proteger e manter uma falsa liderança diante da inevitável supremacia  do Juazeiro. Há várias décadas, Juazeiro tem a liderança total do Cariri. Além de maior e mais importante cidade do Cariri, com 270 mil habitantes, Juazeiro é o centro de gravidade do progresso regional, é o terceiro maior polo da indústria de calçados do Brasil, é sede do Aeroporto Regional do Cariri, um dos mais movimentados e que mais crescem no Brasil, é o maior centro universitário do interior do Ceará e sede da Universidade Federal do Cariri, atraindo estudantes de todo o Nordeste. Daí sua condição inquestionável de líder expressa com toda a justiça da realidade no termo JUABC.

Durante os últimos dez anos, desde 2008, o Juanorte fez parte da história do Juazeiro. Por acidente tecnológico irreparável, encerrou sua jornada mas ficou com a boa sensação do dever cumprido, de ter feito algo muito importante par a cidade, diferente e melhor. Não foi possível alcançar as vitórias desejadas, mas, como ensina  Joseph Joubert escritor e ensaísta de algumas das mais belas páginas da literatura francesa, “o objetivo não está sempre colocado para ser atingido mas para servir de ponto de mira”. Meus sinceros  agradecimentos a todos e a cada um que participaram do Juanorte: Menezes Barbosa, Geová Sobreira, Abraão Batista, Nivaldo Cordeiro, Thiago Magalhães, Pereira Gondim, João Dino, Fábio Tavares, Daniel Walker e Renato Casimiro pela colaboração, pelo companheirismo, pela solidariedade, pela dedicação e pelo comprometimento Que outros amigos e amantes do Juazeiro possam continuar sustentando essas bandeiras que tremulam nos corações juazeirenses. Mais cedo ou mais tarde elas poderão virar conquistas históricas do Juazeiro, cidade que nasceu com vocação para fazer história na história do Brasil. Quanto ao Juanorte, foi uma experiência de amor ao jornalismo e de amor ao Juazeiro. Por isso, encerrri com sentimento aristotélico: “Cada um é feliz na medida que faz e cumpre a sua missão”; Aos juanortenses,  muito grato!

 *Jota Alcides. jornalista e escritor, desde 2016 Assessor do Ministro da Educação, em Brasília,

Um comentário:

Thiago Magalhães disse...

Nesses dez anos de Juanorte, o povo juazeirense aprendeu a valorizar mais seu rincão, sua cultura, seus modos e demonstrar sua altivez perante aos desmandos da capital do Ceará.
Jota Alcides, nós que somos gratos por você ter dado sua vida por esse sonho que foi o Juanorte.
O Juazeiro está cada vez maior e você é parte dessa história.
Obrigado por tudo.
Que Deus é o Padre Cícero te acompanhe na nova jornada.
"Olha lá no alto do Horto! O padre está vivo, ele não está morto!"